24 janeiro 2023 10:08
24 janeiro 2023 10:08

Investidor gastou mais de R$ 40 mil em ações da Americanas horas antes de divulgação do ‘rombo’

André Krizak aumentou participação na companhia no dia do escândalo contábil

Por Redação Ecos da Notícia

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O administrador de empresas André Krizak, de 48 anos, tomou uma decisão por volta de 16h do dia 11 de janeiro que se arrependeu amargamente pouco tempo depois. Decidido a fazer uma nova compra em sua carteira de ações de varejo na Bolsa de Valores, ele escolheu a Americanas como alvo e investiu boa parte de suas economias de anos de trabalho — “mais de R$ 40 mil”. O que ele não sabia naquele momento era que, horas depois, um dos maiores escândalos contábeis do varejo brasileiro seria divulgado.

“Eu estava animado com a chegada de Sergio Rial à Americanas”, disse Krizak em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo. Krizak segue Rial no LinkedIn e sempre admirou a gestão do executivo, que é ex-presidente do Santander Brasil, ex-presidente da Marfrig, e já apontado pela Forbes como o CEO mais bem pago do Brasil, com um salário anual de R$ 59 milhões.

Havia uma grande expectativa em torno da chegada de Rial à companhia, que nos últimos 20 anos havia sido comandada por Miguel Gutierrez.

O administrador — e todo o mercado financeiro do Brasil — tiveram um verdadeiro baque quando, três horas depois de fazer o investimento, viu o próprio Rial assinar um fato relevante que tornou pública a existência de R$ 20 bilhões em “inconsistências contábeis” na Americanas.

Foi neste mesmo anúncio que Rial renunciou à presidência e se apresentou como assessor dos acionistas de referência, os bilionários brasileiros fundadores do 3G Capital (Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira), que até o final de 2021 eram os controladores do negócio.

Recuperação judicial

Na quinta, 19, oito dias depois do anúncio do ex-CEO, a Americanas entrou em recuperação judicial com dívidas de R$ 43 bilhões, a quarta maior operação dessa natureza na história do Brasil. A varejista só fica atrás da Odebrecht, Oi e Samarco.

“Me senti fraudado”, disse Krizak à Folha. “Comprei a ação por R$ 12 e agora ela vale menos de R$ 1, preço de bala. O tombo foi grande para mim. A Americanas fez o 11 de janeiro se transformar no meu 11 de setembro”, disse.

Na sexta-feira, 20, a ação foi negociada a R$ 0,71, menor valor histórico. Entre a data da compra até hoje, Krizak perdeu R$ 65 mil em ações da Americanas.

Por Terra

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