31 janeiro 2023 11:56
31 janeiro 2023 11:56

Em carta, cacique preso por atos antidemocráticos pede desculpas, fala de amor e diz que não há fraude nas urnas

Texto foi escrito como forma de atenuar situação de indígena Xavante, que permanece preso, por decisão do ministro do STF, Alexandre de Moraes.

Por CNN BRASIL

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Preso há quase um mês pela participação em manifestações contra o resultado das eleições presidenciais, José Acácio, o cacique Serere, divulgou uma carta nesta quinta-feira (5) em que diz ter se baseado em informações erradas e pede desculpas ao povo brasileiro pelas críticas ao sistema eleitoral do país.

No dia 12 de dezembro, a prisão de Serere motivou manifestação em Brasília com tentativa de invasão do prédio da Polícia Federal e destruição de propriedades públicas e privadas, como o ateamento de fogo em um ônibus. A prisão de Serere foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.

No texto, divulgado pelo trio de advogados que o defende, o Xavante afirma que quer desfazer mal-entendidos e que a decisão de escrever o que chama de “nota pública oficial” veio dele “livre de qualquer coação”. Os advogados Jéssica Tavares, Pedro Coelho e João Pedro Mello acompanham a causa.

Agora, o cacique Serere diz que não há indício concreto de fraude nas eleições e fala de amor para a vida em sociedade. “Reconheço que cometi um equívoco ao defender tese de que haveria fraude, ou mesmo risco de fraude, nas urnas eletrônicas. Na verdade, não há nenhum indício concreto que aponte para o risco de distorção no resultado às urnas, ou na vontade do eleitor brasileiro”, diz.

Ele também atribui a terceiros o contato com informações falsas sobre o funcionamento das urnas. “Defendi a tese da suposta fraude, com base em informações erradas, que me foram fornecidas por terceiros, que, agora, olhando para trás, vejo que estavam inteiramente desvinculadas da realidade”, diz.

No dia da prisão, Serere já havia gravado um vídeo, orientado pelos advogados, em que desestimula a realização de manifestações violentas. Na carta, repete o tom, na busca de atenuar sua situação. “Não defendi e não defendo ruptura democrática, nem acredito em métodos violentos, e/ou qualquer tipo de violência, como método de ação política”.
Serere também lembra que é pai, cristão, pastor e criado num local remoto. “Entendo que o amor, o perdão e a conciliação são os únicos caminhos possíveis para a vida em sociedade”, ressalta.

 

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