1 fevereiro 2023 8:12
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Estudos mostram que o ambiente favorece o desenvolvimento da obesidade infantil

Condições genéticas, individuais, comportamentais e ambientais podem influenciar no estado nutricional

Por Redação Ecos da Notícia

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A prevenção da obesidade infantil envolve a construção de ambientes saudáveis. Ambientes chamados obesogênicos são locais que não oportunizam ou deixam de favorecer comportamentos fisicamente ativos e escolhas alimentares saudáveis.

Esses espaços abrangem a sociedade como um todo e estão presentes em todas fases da vida dos indivíduos. A consequência é a promoção do ganho de peso excessivo.

Falando especificamente da infância, é preciso pensar nas influências que as famílias recebem para comprar alimentos. Nesse quesito, pesam a condição de acesso a alimentos saudáveis, tanto do ponto de vista físico quanto econômico, por exemplo. Outro ponto fundamental é observar se as mães têm condições de amamentar os bebês ao invés de oferecer fórmulas e se após o aleitamento exclusivo é feita a introdução à alimentação complementar.

O nutricionista Jonas Silveira, professor do departamento de nutrição da Universidade Federal do Paraná (UFPR), afirma que a ausência do aleitamento já configura um ambiente obesogênico.

“É possível pensar nisso em diferentes momentos na vida da criança, desde campanhas que fragilizam a confiança da mulher para amamentar, a desinformação relacionada à promoção de ultraprocessados para introdução da alimentação da criança e depois a manutenção desses hábitos”, afirma o nutricionista.

“Tão importante quanto não culpabilizar a mulher sobre isso é entender em que contexto ela está inserida, se esse contexto favorece ou não a amamentação. Como, por exemplo, o local de trabalho dela e a garantia da licença maternidade. Se ele estimula a amamentação por meio de ações ou estruturas”, completa.

Diferentes espaços

Do ponto de vista físico, podem ser citados os espaços urbanos, as creches e escolas, além do ambiente familiar. Nesse contexto, contam critérios como a disponibilidade de espaços que contribuem para o aleitamento materno, equipamentos de lazer, hortas e cozinhas comunitárias e feiras, por exemplo.

Outros exemplos são a disponibilização, por parte das escolas, além das aulas regulares de educação física, de outras estratégias que podem mobilizar a atividade. A educação alimentar e nutricional também deve fazer parte da grade curricular, por meio de atividades voltadas para a promoção da alimentação adequada e saudável.

Já as cantinas escolares podem contribuir com a limitação na oferta de alimentos ultraprocessados e na priorização do acesso a alimentos saudáveis.

De acordo com o nutricionista, à medida que a criança é exposta aos ambientes obesogênicos ela pode aumentar sua trajetória de ganho de peso.

O nutricionista reforça ainda que é importante identificar estruturas que operam na sociedade para tentar desconstruir os ambientes obesogênicos e reconstruí-los, de modo que eles oportunizem e estimulem escolhas saudáveis para as crianças e toda a população.

“Proteger a infância significa proteger todas as outras etapas do ciclo da vida. A partir do momento em que se começa a pensar em políticas públicas e ações que tentam convergir para cidades saudáveis, a gente acaba protegendo toda a sociedade”, diz.

Riscos da obesidade infantil

A obesidade em crianças e adolescentes é multifatorial, de acordo com o Ministério da Saúde. Condições genéticas, individuais, comportamentais e ambientais podem influenciar no estado nutricional.

O relatório público do Sistema Nacional de Vigilância Alimentar e Nutricional, com dados de pessoas acompanhadas na Atenção Primária à Saúde (APS), aponta que, até meados de setembro de 2022, mais de 340 mil crianças de 5 a 10 anos de idade foram diagnosticadas com obesidade. Em 2021, a APS diagnosticou obesidade em 356 mil crianças dessa mesma idade.

Atualmente, a região Sul possui 11,52% de crianças obesas nessa faixa etária, maior índice do país. Em seguida aparecem as regiões Sudeste, com 10,41%; Nordeste, com 9,67%; Centro-Oeste, com 9,43%; e Norte, com 6,93% das crianças acompanhadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na região.

Especialistas destacam que a visão culpabilizadora reforça o estigma da obesidade e dificulta a compreensão do amplo contexto de saúde pública.

Evidências científicas apontam que crianças com excesso de peso têm mais chances de se tornarem adultos obesos. Como consequência, pode ocorrer o aparecimento de diversas doenças, como diabetes, problemas ortopédicos, distúrbios psicológicos, doenças cardiovasculares e hipertensão, sendo essa última o fator de risco principal para infarto e acidente vascular cerebral (AVC), popularmente conhecido como derrame.

A avaliação da obesidade infantil deve considerar fatores como acesso a alimentos saudáveis, acompanhamento do crescimento e desenvolvimento, entre outros. De acordo com Jonas, a forma como pais, mães ou cuidadores interagem com as crianças poderá influenciar a relação que elas vão estabelecer com a alimentação.

Espaços que favorecem o consumo de alimentos inadequados, excesso de exposição de ultraprocessados, restrições para a criança se alimentar e oferecimento de alimentos como recompensas podem comprometer a habilidade da criança em responder ao controle de saciedade do organismo, contribuindo para o excesso de peso.

Além disso, comentários sobre formas e tamanhos corporais podem convergir, no futuro, em transtornos alimentares e de imagem corporal.

Com informações CNN

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