23 novembro 2022 10:02
23 novembro 2022 10:02

Mulheres da Reserva Extrativista Chico Mendes do município de Brasiléia participam de oficinas de fortalecimento da produção da borracha

Por Redação Ecos da Notícia

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“Lugar de mulher é na cozinha e pra cuidar de casa!”. Nunca foi e nunca será, as mulheres em geral desenvolvem um papel importante na vida familiar e quando se trata de produtora rural, o trabalho é ainda mais árduo, além de cuidar de casa e da família, a mulher desenvolve em suas propriedades, diversas atividades produtivas.

A dona Maria das Graças mora no seringal Amapá há mais de 40 anos, hoje é aposentada e destacou a importância do trabalho da mulher na produção de borracha. “Desde que me casei que sempre cortei seringa junto com meu esposo, cuidando de casa e da família. A borracha já teve um preço muito baixo mas hoje graça a Deus, a cooperativa e a VEJA, que paga na hora, nossos filhos podem cortar e vender por um preço mais justo. As mulheres sempre cortaram seringa, colheram e ajudaram fazer a borracha. É uma produção que junta toda a família”, destacou Maria das Graças.

A SOS Amazônia em parceria com a COOPAEB e a COOPERACRE, acompanhados pelo Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Brasiléia realizaram nos seringais Nova Olinda, Amapá e Humaitá oficinas de capacitação com o tema: “Mulheres da Borracha, Borracha Sustentável e Produção familiar”. Mais de 60 mulheres estiveram reunidas discutindo e compartilhando experiências sobre a produção da borracha e as práticas agroextrativista. Importante destacar que a produção da borracha desses seringais são vendidas na cooperativa, pago a vista o valor de R$13,50 (Treze reais e cinquenta centavos) e posteriormente entregue à empresa VEJA que produz sapatos ecologicamente corretos a partir da borracha de seringueiras nativas extraída na Amazônia, algodão agroecológico vindo da agricultura familiar do Nordeste, couro de gado criados em campos nativo do Pampa no Sul do Brasil e garrafas pets recicladas que são recolhidas do meio ambiente.

 

Um dos objetivos dos encontros entre mulheres foi para fortalecer a importância do modo de vida extrativista dessas famílias evidenciando, compartilhando e discutindo sobre a importância e valorização da participação da família nesse processo de produção da borracha, que acontece desde a decisão em corta seringa, limpeza das estradas de seringa, corte e colheita do látex, produção da borracha e a comercialização nas cooperativas. A capacitação é financiada pela empresa VEJA/Vert que produz calçados masculinos, femininos e infantis, a partir de produção sustentável de matéria prima toda do Brasil, onde a borracha produzida na Amazônia estão presentes nos solados e palmilhas de todos os modelos dos sapatos.

A empresa VEJA vem melhorando o preço da borracha desde 2004, além do preço pago a vista, as cooperativas e movimentos sociais, lutaram por um subsídio federal que hoje paga 3,32 reais e o subsídio estadual de 2,30 e em alguns municípios tem a subversão municipal, como é o caso do município de Assis Brasil que paga 1,40 por quilo de borracha.

Hoje o contrato da cooperativa COOPAEB com a VEJA é de 80 toneladas/ano, o que pode aumentar a partir de 2023.

 

Francisca Bezerra Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais também acompanhou as oficinas e destacou a importância da mulher no processo produtivo. “Agradeço o convite da COOPERACRE e da SOS Amazônia para participar das oficinas voltadas para as mulheres, que tem um papel fundamental na produção e isso ajuda as mulheres a terem conhecimentos dos seus direitos na produção e na hora de receber um benefício que precisam estarem inseridas no sistema produtivo”, finalizou.

O Presidente da Cooperativa Agroextrativista de Assis Brasil, Epitaciolândia e Brasiléia – COOPAEB, José Rodrigues de Araújo conhecido como De Araújo, esteve presente nas capacitações e falou da importância da participação das mulheres neste processo. “A COOPERACRE e a COOPAEB, vêm participando desse processo de organização da capacitação por saber a importância da participação familiar nesse processo onde participa o marido, a mulher e os filhos. A cooperativa luta por um preço cada vez mais justo onde chegue nas famílias extrativistas e com isso, as famílias melhoram a renda e ainda ajudam em uma produção sustentável com menos desmatamento. Esse é nosso papal como instituição, buscar sempre um preço mais justo para os produtos extrativistas”.

 

Gabriela Antonia da SOS Amazônia, responsável por executar e mediar as oficinas relata que com essas três oficinas, totalizam cinco das seis previstas para ser executada nos territórios onde a COOPAEB atua. Em junho de 2022 foram realizadas as duas primeiras oficinas, uma no município de Assis Brasil na comunidade Divisão e a segunda no município de Brasiléia na comunidade Tabatinga, somando a participação de mais de 50 mulheres. E agora foram realizadas mais três oficinas, somando a participação por volta de 70 mulheres. Gabriela relata que esse projeto tem como meta ser realizada nas cinco regionais do estado do Acre, onde atuam onze cooperativas locais que entregam borracha por meio de contratos para COOPERACRE, que por sua vez entrega para a empresa VEJA/VERT. Ela pontua que o projeto é pioneiro e de grande relevância para a vida das famílias extrativistas e sobre todo para as mulheres pertencentes a essas famílias. Com compartilhamento de informações é possível transformação e despertar o auto empoderamento das mulheres.

Por Leila Ferreira/O Alto Acre
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