23 novembro 2022 8:19
23 novembro 2022 8:19

Mentiras sobre fraudes marcam eleições de meio mandato nos EUA

Denúncias infundadas de irregularidades motivadas por problemas técnicos no Arizona alimentam fake news durante o processo para renovação do Congresso. Trump coloca o voto em xeque, e o presidente Joe Biden faz apelo contra abstenção

Por Redação Ecos da Notícia

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Mais uma vez, fake news (notícias falsas) e desinformação capitalizaram as atenções nos Estados Unidos. Dois anos depois da vitória de Joe Biden sobre Donald Trump, denúncias infundadas de fraudes e notícias mentirosas se espalharam pelas redes sociais, enquanto democratas e republicanos travavam uma disputa fortemente polarizada pelo controle do Congresso. Os participantes do fórum extremista The Donald — ambiente virtual que congrega simpatizantes do ex-presidente — chegaram a pedir uma intervenção armada na Geórgia e incitaram o caos: “Se as coisas ficarem violentas atirem primeiro”. As primeira seções fecharam às 20h (horário de Brasília).

As eleições de meio de mandato de ontem renovarão todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, além de 35 assentos no Senado. Elas são cruciais para a governabilidade de Joe Biden e funcionam como um termômetro para 2024, quando será escolhido o novo inquilino da Casa Branca. Os republicanos comemoram importantes vitórias no Senado e em disputas pelos governos, além de reafirmarem o favoritismo para a retomada do controle da Câmara.

Até à 0h30 de hoje, segundo projeções da rede de tevê CNN, os republicanos tinham conquistado 153 cadeiras da Câmara, enquanto os democratas, 88 — para a maioria, eram necessário 218 assentos. No Senado, a batalha era mais acirrada: cada partido havia obtido 40 cadeiras, e o limiar para a maioria era de 50.

De acordo com o jornal The Washington Post, vídeos gravados meses atrás e divulgados como se fossem de ontem traziam acusações de que eleitores republicanos teriam sido impedidos de votar. Problemas técnicos detectados em máquinas em Maricopa, o condado mais populoso do estado do Arizona (com 4,5 milhões de habitantes), alimentaram teses de fraude generalizada. No entanto, autoridades locais garantiram que os cidadãos não foram impedidos de votar.

Em 2020, a extrema-direita apontou manipulação eleitoral no mesmo estado, onde Biden derrotou Trump. Nenhuma irregularidade foi encontrada dois anos atrás. O Partido Republicano pediu que o tempo de votação em Maricopa fosse ampliado em três horas, mas a demanda foi rejeitada pela Justiça.

Acusações

A eleição nem tinha se encerrado e Trump usou a própria plataforma virtual — Truth Social — para sustentar acusações de problemas no Arizona, em Michigan e na Pensilvânia. “A mesma coisa está acontecendo com a fraude eleitoral como aconteceu em 2020???”, questionou o ex-presidente, sem apresentar provas ou evidências. Uma pesquisa de boca de urna feita pela emissora de tevê CNN e pelo instituto Edson Research indicou que, apesar das queixas de Trump, oito em cada dez eleitores afirmaram confiar em eleições justas e precisas.

No fim da noite, as projeções mostravam que o republicano Ron DeSantis, potencial rival de Trump na indicação do Partido Republicano para a Casa Branca, foi reeleito governador da Flórida. Estrela em ascensão do conservadorismo, DeSantis, 44 anos, derrotou o ex-governador Charlie Crist, um republicano desertor. O senador republicano Marco Rubio também carimbou sua reeleição e confirmou a onda vermelha no estado. Em Massachusetts, a democrata Maura Healey, 51, tornou-se a primeira governadora abertamente lésbica nos Estados Unidos, após vencer o republicano Geoff Diehl, apoiado por Trump.

Arkansas, um dos estados mais conservadores dos EUA, também elegeu sua primeira mulher para o cargo de governadora. Ex-porta-voz de Trump, a republicana Sarah Huckabee Sanders impôs uma derrota ao democrata Chris Jones.

Economia

A sondagem da CNN e da Edson Research também apontou os assuntos determinantes para o cidadão norte-americano na hora de votar. A inflação foi citada por 32% dos eleitores, enquanto 27% informaram o aborto como o tema mais  importante. A criminalidade e a política armamentista aparecem em seguida, com 12%. Dez por cento dos eleitores indicaram imigração. Sete em cada 10 americanos se disseram menos do que satisfeitos com a situação dos Estados Unidos. O índice de aprovação de Biden é de 45% — praticamente idêntico ao experimentado por Trump durante as eleições de meio de mandato de 2018.

Uma publicação de Biden nas redes sociais deu o tom da importância das eleições de ontem para o presidente e para seu Partido Democrata. “À medida que as urnas começam a fechar em certas partes do país, se você estiver na fila do seu local de votação antes do encerramento, fique na fila. Faça sua voz ser ouvida”, pediu o presidente.

  • Moradores de Denver votam em escola
    Moradores de Denver votam em escolaFoto: Michael Ciaglo/Getty Images/AFP
  • Correio Braziliense
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