23 novembro 2022 5:07
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COP27 chega ao “último dia” com negociações travadas e sem grandes acordos

Debate sobre perdas e danos, tema-chave da COP27, divide países ricos e pobres, que ainda não chegaram a um consenso

Por Redação Ecos da Notícia

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*Enviado especial a Sharm El-Sheikh – A 27ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP27) chega, nesta sexta-feira (18/11), ao seu último dia, com raros consensos e negociações ainda travadas.

Nações desenvolvidas, como os Estados Unidos, e países em desenvolvimento discutem estratégias para sanar uma evidente divergência, ainda não superada, sobre a criação de um novo fundo para perdas e danos climáticos. Na prática, propõe-se que países pobres atingidos por desastres ambientais como furacões e inundações sejam compensados financeiramente pelas nações mais ricas – responsáveis pela maior emissão de gases na atmosfera, mas que resistem fortemente à criação do fundo.

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Com o imbróglio, o debate pode se estender até o fim de semana, e fazer com que os negociadores passem mais alguns dias na paradisíaca Sharm El-Sheikh, no Egito, sede da COP27.

“Os países em desenvolvimento, mais pobres, querem uma decisão logo aqui. As nações mais ricas não querem que a resposta seja apenas de um fundo de financiamento: eles estão pedindo um mosaico de opções”, explica Stela Herschmann, especialista em política climática do Observatório do Clima (OC).

Na quinta-feira (17/11), o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que os países da cúpula da COP27 no Egito devem superar uma “quebra de confiança” entre nações ricas e pobres para fechar um acordo que salve o mundo do aquecimento global.

Herschmann explica também que um rascunho de 20 páginas apresentado tardiamente pelo Egito, que preside a COP27, tornou o acordo climático muito mais difícil. O esboço mantém a meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C e reitera a redução da fase de carvão de Glasgow, mas não define um acordo sobre o fundo de perdas e danos.

“O texto inclui coisas contraditórias. Não dá nem para negociar em cima disso. Então, o clima está muito difícil, e é impossível ver uma luz no fim do túnel”, avalia a especialista.

*O repórter viajou a convite do Instituto Clima e Sociedade (ICS)

Metrópoles

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