8 dezembro 2022 3:31
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Aliados de Lula turbinam defesa por composição casada para Fazenda e Planejamento entre petista e não petista

Após reação do mercado à fala de Lula, petistas e aliados do presidente eleito ressaltam importância de área econômica do novo governo ter quadros diferentes nos principais postos.

Por Redação Ecos da Notícia

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Após a fala do presidente eleito, Lula (PT), nesta quinta-feira (10), gerar reação do mercado, petistas e aliados de Lula turbinaram, nos bastidores, a importância de uma composição entre quadros diferentes para os principais postos da área econômica do novo governo.

Nesta sexta-feira (11), petistas ligados ao ex-ministro da Educação, Fernando Haddad (PT), defendem que ele ocupe uma das cadeiras da economia como Fazenda ou no Planejamento, mas advogam que a operação seja uma dobradinha com um nome fora dos quadros do PT, como um dos economistas do Plano Real, um técnico ou um nome mais palatável ao mercado.

No entorno do vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin (PSB), a solução defendida para diluir pressões do Congresso e do mercado é, também, a saída meio termo para a área econômica: um técnico não petista e um petista no comando dos dois postos centrais do governo. Aqui, a torcida dos ex-tucanos é por Pérsio Arida.

Nesta semana, Lula se reuniu com um de seus principais conselheiros econômicos, Luiz Gonzaga Belluzo. Petistas querem que Lula ouça outros nomes antes de definir o desenho da Economia, como Arminio Fraga e também Luiz Trabuco.

Já no Congresso e setores do mercado, dentro dessa fórmula, a preferência seria por um liberal na Fazenda. E lembram, ainda, que isso pode não ser solução a depender da interferência do PT na área, como aconteceu com Joaquim Levy e Nelson Barbosa.

É grande a expectativa no entorno de Lula pela viagem com Haddad para a COP 27.

O entorno de Lula acredita que, na viagem, as conversas sobre as definições de ministérios avancem sem interferência de quadros do PT, de dentro e fora do partido, a quem são atribuídos parte do mau humor de setores do mercado, além de parlamentares. Por exemplo, Aloizio Mercadante. No próprio PT ha um incômodo com excesso de protagonismo de Mercadante e preocupação com influência dele junto a Lula nas indicações para o governo.

A expectativa do PT é de Lula viaje com Haddad, no mesmo avião, para a COP 27, sem influências externas. Mercadante, alvo de críticas no partido, no entanto, também irá para a COP, mas se espera que não viaje com a dupla.

Um coordenador da transição disse ao blog nesta quinta que, apesar de o discurso oficial ser de que Mercadante não terá influência no governo, os sinais da transição são ruins pois Mercadante aparece não só em cargo de destaque, mas também em todas as fotos e coletivas de Alckmin e Lula.

Mercadante é a memória, para o Congresso, parte do PT e também do mercado, do fracasso do governo Dilma.

No entanto, ao mesmo tempo, o entorno de Lula avalia que os erros da transição são bons para testar reações, o que ajuda a calibrar indicações para a Esplanada, aí sim, sem margem para erros.

Para setores do mercado, o governo de transição ouviu a reação de quinta e mandou recados de que a transição não é o governo. Ou seja: que há espaço para errar e testar agora, e não quando estiver valendo. Uma postagem de Lula na manhã nesta sexta-feira (11) no Twitter sobre respeitar “quem não pensa como nós” foi lida como uma sinalização do próprio presidente eleito de que está disposto a incorporar as críticas.

No caso de Haddad, explicam petistas, pesa também um jogo de sucessão presidencial. Diz um dos mais próximos assessores de Lula: “Ninguém fala abertamente porque o novo governo mal começou mas tudo envolve sucessão de 2026. House of Cards até na montagem ministerial”, brinca, referindo-se ao famoso seriado político.

Nesse desenho, o PT quer evitar “empoderar” com pastas importantes apenas eventuais adversários na sucessão de 2026, hoje aliados, mas de outros partidos, como Simone Tebet (MDB), Flavio Dino (PSB) e até Geraldo Alckmin (PSB).

Por isso, a defesa de setores do PT pela indicação de Haddad, um dos principais sucessores de Lula, para a pasta da Fazenda, principal vitrine do governo.

O blog questionou diferentes fontes do PT sobre se essa estratégia faria sentido desde que Haddad sobreviva a uma eventual gestão na Fazenda e não seja demitido, por se tratar de um cargo sensível e passível de frituras, petistas aliados do ex-ministro da Educação responderam que a Fazenda será a grande vitrine pela “marca social” do governo Lula 3.

“Ousado, vai fazer uma gestão com bandeira para tirar as pessoas da fome. Vitrine maior que qualquer governo de São Paulo”, diz um integrante da cúpula do PT.

No caso de Dino, o nome dele é dado como certo para assumir a Justiça, apesar de resistências pela divisão da pasta com a Segurança Pública, promessa de campanha de Lula.

Advogados do PT queriam um nome para pacificar a área, como o do ex-ministro Nelson Jobim, mas ele não se mostra, pelo menos até o momento, interessado.

No caso de Simone Tebet, a ex-candidata vai trabalhar para manter a imagem do governo de que Lula 3 é, sim, uma frente ampla. Mas, para isso, precisa de mais autonomia, o que espera conseguir a partir da próxima quarta-feira (16).

Por g1 Política

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