5 outubro 2022 11:30
5 outubro 2022 11:30

Sonhando com Olimpíadas, Larissa Paes é a primeira patinadora Brasileira nos Estados Unidos

Por Redação Ecos da Notícia

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Como um presente de Natal pode mudar completamente a vida de alguém? Uma resposta possível para essa pergunta é fazer com que ele se torne parte do seu dia a dia e da sua profissão. Foi o que aconteceu com Larissa Paes, a única brasileira na história a competir uma prova oficial de patinação de velocidade no gelo, modalidade presente nas Olimpíadas de Inverno desde a sua primeira edição, em 1924.

Larissa ganhou os patins de Natal aos 6 anos. Ela gostou da ideia, começou a brincar nas ruas de Sobradinho (DF) e continuou se arriscando com os tênis de rodinhas quando mudou para o plano piloto de Brasília. Mas a partir dos 13 anos a sua história começou a mudar, muito por influência de seus pais.

Como Larissa passava muito tempo dentro de casa, a mãe queria que a filha praticasse alguma atividade física. Foram várias as tentativas: balé, basquete, capoeira, natação…

“Eu cansava rapidinho e trocava de atividade, nunca ficava muito tempo. Num belo dia, ela perguntou se eu queria ver patinação artística, e eu falei ‘não, mãe, muito sem graça’. Mas depois ela me levou para a patinação de velocidade. Ela viu um panfleto e, no Dia das Crianças, fui ao parque da cidade. Estava tendo treino da equipe Jaguar, que é a mesma que passei muitos anos competindo. Fui lá, participei de um treino e achei legal”, recorda Larissa Paes em entrevista.

“Comecei a ir aos treinos e gostava, não faltava nunca. Treinava até mais que os outros, gostava de ficar mais tempo lá… E, com isso, o pessoal começou a me convidar para competir, e eu pensava: ‘nossa, mas estou há tão pouco tempo e já vou competir, nada a ver’. E logo no começo, em 2009, nas primeiras competições, já comecei a ganhar medalha e a me destacar”.

Larissa Paes, quando ainda competia de patins de rodinhas. Foto: Reprodução.

Até então, Larissa ainda não tinha ideia do que era patinar no gelo. Foram anos competindo de patins inline (de rodas) e se destacando no cenário nacional, com vários títulos brasileiros, mas nunca se sobressaindo em etapas mundiais. A falta de estrutura em Brasília pesava bastante, e nem mesmo algumas viagens internacionais elevaram o nível de Larissa até onde ela queria.

“Fui treinar no Chile 3 meses, na Holanda 3 meses, e realmente aumentei muito meu nível físico e técnico, mas chegou no Mundial e também não tive o resultado que eu queria. Estava cansada, tinha me estressado”, conta. Mas as coisas finalmente começariam a mudar.

Prazer, gelo

Depois de disputar um Mundial de Patinação Inline em 2018, a atleta teve a oportunidade de conhecer a patinação no gelo através de uma semana de aprendizado na Holanda. Apesar de ambos serem praticados com patins, era um esporte totalmente novo para Larissa, mas ela gostou do que experimentou. Só que para dar sequência aos trabalhos e iniciar a transição para o gelo, era preciso uma aprovação da Confederação Brasileira de Desportos no Gelo (CBDG).

“Um rapaz da Holanda estava fazendo um programa de treinamento no gelo, e eu nunca tinha visto uma pista no gelo, não sabia nem o que era. Aí participei dessa semana de aprendizado e, ao final da semana, teve uma prova para correr. Fiz um tempo bem ruim, era a primeira vez que estava patinando no gelo, não fazia ideia como era, era totalmente outra experiência”, lembra.

Larissa Paes patinando no gelo. Foto: Reprodução.

“Aí o cara disse: ‘Olha, fala com a sua federação para eles aprovarem esse tempo’. E eu: ‘gente, que federação’? Não sabia nem que tinha federação de gelo. Aí fui atrás, encontrei um e-mail que não funcionava e procurei o presidente no Facebook [risos]. Mandei uma mensagem ‘oi, sou atleta, estou aqui na Holanda’. E ele respondeu na hora, eu estava dentro do trem, e mandou ‘ah, que legal, se você quiser, podemos ver oportunidade de treinamento para você’. Aí pensei: ‘Bacana, né? Uma oportunidade de eu continuar sendo atleta, mas num outro cenário’.

Larissa voltou ao Brasil, conversou com a família e obteve o aval que precisava da CBDG para ir ao exterior praticar patinação no gelo. O local escolhido foi Salt Lake City, nos Estados Unidos. “Não sabia nem onde era, mas é uma cidade muito bacana, muito bonita… Aí comecei a aprender, a gostar e fui conhecendo as pessoas”.

“Cada vez fui melhorando e, na temporada passada, finalmente consegui fazer uma marca que me permite correr as Copas Mundiais. Fui a primeira pessoa do Brasil a participar desse evento.”

Olimpíadas 2026

Ainda sem poder viajar por problemas com o visto, Larissa ficou um tempo impedida de participar de etapas da Copa do Mundo que poderiam lhe assegurar uma vaga nas Olimpíadas de Inverno de 2022, na China.

“Agora eles me deram uma permissão de viagem que, supostamente, permite que eu vá para as Copas”, conta.

Porém, a história promete ser diferente para a próxima edição da competição, que acontece em 2026, em Milão.

“Ainda está cedo para dizer sobre as chances, mas meu foco é chegar lá. O treino que faço aqui é com pessoas que são atletas olímpicos. Estou fazendo a mesma coisa que eles. O que falta é tempo de se desenvolver para chegar nesse nível”, diz.

“Mas, com certeza, é possível, senão não estaria dedicando tanto do meu tempo e recursos a isso. Essa última Olimpíada foi um pouco complicada pra mim pela questão de visto, mas, para a próxima, a gente vai se organizando para chegar lá com tudo certo”, acredita Larissa.

Vai começar!

Larissa explica que, no geral, os atletas de patinação de velocidade no gelo fazem duas temporadas bem distintas. Na de verão, eles trabalham a parte física, e, na de inverno, é quando o jogo começa e as competições acontecem. A nova temporada tem início a partir de amanhã (3), com a prova chamada Desert Classic, em Utah.

“A gente tem a temporada de competições durante o inverno. Aqui, nos Estados Unidos, a temporada é um pouco mais longa porque o lugar que a gente treina faz um esforço pra colocar o gelo cedo: 35º lá fora, mas dentro do rinque a gente já está com a pista longa ligada. Tem país que só começa a ter a pista, de fato, em outubro”, explica. “No caso dos Estados Unidos, eles colocaram em agosto, o que é bem cedo. Então a temporada aqui vai de setembro até março.”

“O que muitos atletas fazem é fazer um treinamento de verão, que é um treino físico como ciclismo, academia, corrida, atividades que mantêm o seu físico preparado, para no inverno você trabalhar, de fato, a patinação, a parte técnica, tática e de prova.”

Mais sobre a Larissa:

“Estilo de vida”

“Eu comecei porque gostava de patinar, e, para ser sincera, eu continuei porque gosto de patinar. Gosto de conquistas, medalhas, mas o que gosto, de fato, é o estilo de vida. Ser atleta e continuar fazendo o que gosto”.

Inline x Gelo

“Visualmente, para quem não conhece muito bem, parece que é meio igual. O movimento é parecido, mas, na verdade, é bem diferente. Me perguntavam se era tipo futebol de salão e de campo, e eu falei: ‘é tipo futebol de campo e futebol americano’ [risos]. Tem pessoas no campo e uma bola, mas é um esporte muito diferente”.

“Não tenham medo”

“Não tenham medo. Às vezes as pessoas têm medo de treinar esportes no gelo, pessoas que até tem condição de vir para cá, financeira e disponibilidade, mas acham que é impossível. Mas não é impossível. Se chegar aqui, consegue chegar rapidinho. É só querer. Se é alguém que tem vontade, possibilidade de fazer o esporte, é só ir atrás. É você estar disposto e dedicar, ir atrás”.

Fonte/ UOL esportes

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