7 outubro 2022 3:41
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No Acre, após ter casa invadida por policiais, mulher tem infarto fulminante e morre

Maria Inanuza, de 53 anos, morreu na madrugada desse domingo (11) depois que foi acordada por policiais que procuravam suspeitos de assalto no bairro Apolônio Sales.

Por Redação Ecos da Notícia

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O filho de Maria Inanuza Ferreira Lima, de 53 anos, ainda tenta entender o que aconteceu na madrugada desse domingo (11), que terminou com a morte da mãe após um infarto fulminante. Abimael Ferreira Lima, de 20 anos, conta que a mãe passou mal e morreu depois de ter a casa invadida por policiais militares que procuravam por suspeitos de assalto no bairro Apolônio Sales.

A reportagem entrou em contato com a Polícia Militar do Acre (PM-AC) para saber se vai se manifestar sobre o caso e aguarda resposta até última atualização desta reportagem.

O rapaz conta que era por volta das 3h30 de domingo quando ele e a mãe foram acordados por militares já dentro de casa. Armados e com lanternas nas mãos, eles abordaram os dois moradores e faziam várias perguntas. Muito nervosa, a mulher foi até o portão para abrir para os demais policiais que estavam do lado de fora e acabou desmaiando.

“A gente acordou com o barulho dos policiais. Eles pegaram uma escada da vizinha, pularam o muro do meu quintal e entraram pela janela da sala que não estava trancada. Quando vi, tinha um policial na porta do meu quarto e com a lanterna na minha cara dizendo que era polícia, perguntando meu nome, se eu morava ali. Nisso, minha mãe já vinha lá de trás com outro policial na direção dela e eles perguntaram se ela era minha mãe. Levaram a gente pra área da casa, um me sentou no chão e ficou perguntando se eu tinha comprado coisa roubada e minha mãe foi abrir o portão para os outros policiais. Ela já estava desesperada e quando foi abrir o portão se desesperou mais e saiu despencando nos policiais, meio que já desacordada”, relembrou.

Após Maria cair, o filho contou que um outro policial entrou na casa e disse: “não é esse aí”, se dirigindo a ele. Os militares procuravam por suspeitos de assalto que estariam fazendo famílias reféns na região.

Foram os próprios militares que iniciaram os primeiros socorros à Maria. Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionada, ainda tentou reanimar a vítima, mas ela não resistiu e morreu na área de casa.

“Eles não apresentaram nenhum mandado ou outro documento quando entraram em casa. É uma revolta, não com a questão de serem policiais, não tenho nada contra policiais, até porque eu estudo pra ser um, mas a questão de ter perdido minha mãe em uma situação totalmente desnecessária. Uma situação precoce e desnecessária que ocasionou a morte da minha mãe. Ela não tomava remédio, nunca teve problema com convulsão, ou pressão”, disse o filho.

Acionar a Justiça

O rapaz revelou que registrou um boletim de ocorrência sobre o caso e que pretende entrar na Justiça contra o Estado. “Essa situação não pode ser deixada de lado, não pode ser esquecida.”

Maria foi sepultada nesta segunda-feira em Vila Campinas, distrito do município de Plácido de Castro, interior do estado. Ela era servidora pública na Secretaria de Estado de Educação, Cultura e Esporte. Em nota, a SEE lamentou o falecimento dela.

“A SEE vem externar o mais profundo pesar pelo falecimento da servidora Maria Ivanuza Ferreira Lima, que trabalhava como auxiliar de secretaria na Escola Estadual Pedro Martinello. À família enlutada, colegas de trabalho e amigos, as mais sinceras condolências pela perda inestimável. Pedimos a Deus que conceda o devido conforto neste momento de comoção e dor.”

G1 Acre
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