24 novembro 2022 5:21
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A evolução de Roger Federer: de bad boy a exemplo de atleta

Por Otávio Damasceno, da redação Ecos da Notícia

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Ex-tenista suíço encerrou a carreira como um sinônimo de elegância dentro e fora de quadra, mas no começo de carreira carregava a fama de jovem problemático

Roger Federer encerrou a carreira profissional no tênis na última sexta-feira em uma derrota nas duplas ao lado de Rafael Nadal na Laver Cup. Os fãs prestaram homenagens e mostraram admiração por quem é tratado como um dos maiores atletas da história e um exemplo para gerações futuras dentro e fora de quadra… mas nem sempre foi assim.

Profissional desde 1998, Federer surgiu para o tênis como uma grande promessa ao vencer o torneio de juniores de Wimbledon naquele mesmo ano. O talento era claro e a expectativa também, mas a postura em quadra e fora dela era de um garoto reclamão e emocionalmente descontrolado.

Não foram poucos os descontroles do suíço nos primeiros anos da carreira, jogando raquete no chão, recebendo punições de árbitros e reclamando em quadra, especialmente após derrotas. Conforme a idade foi avançando, isso mudou, mas ainda apareceu uma vez ou outra

Federer teve alguns desentendimentos com o pai por conta do temperamento em treinos e jogos. Uma certa vez, irritado com a birra do filho, Robert Federer deu uma moeda a ele e foi embora com o carro, deixando-o voltar para casa de ônibus.

A família foi essencial na mudança de postura de Roger Federer. Tanto das cobranças do pai, quanto da mãe. Outro fator foi crucial: a morte do treinador Peter Carter, em 2003 em um acidente de carro na lua de mel.

O suíço era muito próximo do técnico e o acidente serviu de “alerta” para suas atitudes para não desperdiçar o esforço do australiano em desenvolvê-lo e passou a treinar mais forte. Aos poucos, o temperamento explosivo deu lugar à frieza que criou o gênio.

Conquistou o primeiro título de grand slam da carreira em 2003, em Wimbledon, com uma vitória por 3 sets a 0 contra o australiano Mark Philippoussis, parciais de 7–6(7–5), 6–2, 7–6(7–3). Daí para frente o Roger passou a ter a tranquilidade como sua força e se tornou uma das personalidades mais queridas do esporte mundial.

Nas (muitas) vitórias e nas derrotas, Federer não se descontrolou e, até por conta disso, venceu tanto. Já em 2004 foram outros três majors no currículo, que pavimentaram a histórica e triunfante carreira profissional.

Foi em 2006 que Federer viveu seu melhor ano profissionalmente. Conquistou três grand slams (Australian Open, Wimbledon e US Open) e venceu 92 das 97 partidas que jogou naquela temporada. A pedra no sapato foi sempre Roland Garros (até por conta de um tal de Rafael Nadal). Mas em 2009 ele completou a coleção de slams vencendo a final contra Robin Soderling.

Mas não confunda a frieza dentro de quadra com fora dela. Federer foi uma das personalidades mais amadas do esporte justamente por se dar bem, tanto com rivais quanto com fãs. Não à toa a despedida foi emocionante, com direito a lágrimas de Nadal, Djokovic e até mesmo dos jovens Tsitsipas e Ruud, que pouco enfrentaram o suíço, mas que certamente aprenderam a gostar de tênis vendo ele jogar.

Exemplo de atleta e de sucesso. Sinônimo de tênis. Federer construiu a carreira provando que superar a si mesmo é o primeiro passo e por isso foi tão grande para a modalidade e para o esporte mundial. Fica para a eternidade, assim como o agradecimento pela noite vivida em Londres.

– Foi mágico. Obrigado a todos os jogadores e fãs que estiveram aqui para dividir esse momento comigo. Significa muito para mim – escreveu Federer em sua rede social.

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