8 agosto 2022 1:56
8 agosto 2022 1:56

É preciso aplicar conhecimentos, diz brasileiro na lista dos 50 melhores alunos do mundo

Lucas Tejedor afirmou que sonha em analisar políticas públicas.

Por Redação Ecos da notícia

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Com apenas 18 anos, o carioca Lucas Tejedor, estudante do Centro Federal de Educação Tecnológica do Rio de Janeiro (Cefet-RJ), integra a lista dos 50 primeiros classificados do Chegg.org Global Student Prize 2022, prêmio anual que destaca estudantes que impactaram a sociedade por meio da aprendizagem e projetos sociais. Ele ainda concorre a uma gratificação de U$ 100 mil. O jovem foi selecionado entre quase 7 mil nomeações e candidaturas de 150 países. Além disso, Lucas é o único representante brasileiro nesta edição.

O e-mail com o resultado da etapa chegou na última sexta-feira (22) e surpreendeu o jovem. Mesmo conhecendo o potencial dos projetos inscritos, ele não espera avançar tanto na premiação, ficando entre os 50 melhores estudantes do mundo. “Foi sensacional. Eu não esperava, mesmo dando o meu máximo nos projetos. Fiquei maravilhado, meu coração ficou muito acelerado quando recebi a notícia”, conta Lucas.

Segundo ele, o interesse por desenvolver projetos capazes de solucionar problemas sempre fez parte “da sua veia pulsante de fazer acontecer”. Quando criança, influenciado pela literatura, escreveu seu primeiro livro, Autoconhecimento.

Aos 12, abriu uma empresa no nome da avó para se capacitar em cursos oferecidos pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Desde então, Lucas começou a oferecer consultorias a empresas do bairro. “Eu levava meus diplomas porque ninguém daria ouvidos a uma criança. Aprendi muitas coisas na prática, como contabilidade básica, organizar galpões, entre outras coisas. Valorizo muito essa época”, descreve.

Ele conta que, na época, a família ainda não aceitava o caminho que decidiu escolher. O desejo dos pais, lembra, era que ele se dedicasse a concursos públicos ou trilhar o caminho das forças armadas, uma vez que sua família é formada por militares. Os anseios dos pais, no entanto, eram constantemente negados por Lucas. E com o avanço dos projetos, os resultados positivos se tornaram frequentes e a família passou a apoiar totalmente seus sonhos.

A determinação na busca por mudanças é “coisa de família”, diz Lucas. Segundo ele, o avô, diagnosticado com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), enxergou nos estudos uma oportunidade para melhorar suas condições de vida. Ao lado da esposa, nordestina que morava em casa de sapê, fincou raízes no Rio de Janeiro e proporcionou conforto para toda família com muito afinco no trabalho. Além disso, os pais do estudante estudaram em escolas públicas. Lucas conta, ainda, que se orgulha da trajetória da família e reconhece que, hoje, tem muito mais privilégios.

Mesmo estudando em escola particular, por meio de bolsa, ele afirma que não estava satisfeito com o ensino “engessado” que, segundo ele, apenas ensinava para aprovar nos vestibulares. Mas o sentimento de buscar algo a mais incentivou Lucas a fazer a prova para o Cefet-RJ, onde estuda atualmente o ensino médio-técnico de informática.

O estudante fundou sua primeira empresa ao ingressar na instituição federal, mas o projeto não atingiu suas expectativas. Esse primeiro “fracasso” o motivou a seguir em frente. Para o estudante, 2020 era o ano “para fazer acontecer”. Porém, afirma, a pandemia levou esses planos por água abaixo. Entre as pausas, uma coordenadora da escola o inspirou a ingressar em projetos da área ambiental.

Lucas tem trabalhado em uma variedade de projetos, apesar da pouca idade. Durante a pandemia, desenvolveu um aplicativo para o Cefet-RJ para alertar as pessoas sobre locais adequados para reciclagem de lixo eletrônico, uma vez que o Brasil tem uma das taxas mais altas deste problema no mundo. Além disso, criou uma inteligência artificial capaz de detectar incêndios florestais por meio de imagens, que garantiu-lhe o primeiro lugar na exposição do Cefet-RJ, segundo maior concurso científico do estado.

Em parceria com a organização Casa de Cáritas, fundou, ainda, o Ubuntu, plataforma que visa excluir barreiras de contatar diferentes organizações sem fins lucrativos no Brasil. Com esse projeto, foi finalista no prêmio Comunidade Prudencial.

Seguindo seu objetivo de vida, impactar a vida das pessoas por meio de projetos e ações que solucionem problemas, Lucas valoriza a educação pública. “Eu só consegui estar aqui por conta do governo. O Estado é uma peça fundamental no desenvolvimento, mesmo não funcionando sempre”, diz.

Com a formatura no ensino médio e técnico marcada para este ano, o estudante tem planos claros para o futuro. Mesmo sendo apaixonado por programação, o sonho do jovem é cursar direito para ajudar a sociedade por meio das leis. O dilema da vez é se continua no Brasil para prestar vestibular e ingressar na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ou tentar uma vaga em alguma instituição no exterior.

Futuramente, Lucas pretende desenvolver e incluir políticas públicas de melhor qualidade, com baixo custo para o governo mas com alto resultado para a população tanto brasileira quanto de outros países. “Eu sei que é uma missão difícil, mas quero tentar retribuir tudo o que eu recebi para a sociedade”, afirma, confessando que se vencer a Global Student Prize 2022 vai utilizar os U$ 100 mil para investir em projetos atuais, de acordo com ele, capazes de atingir níveis de excelência, auxiliar ONGs, em especial a Ubuntu e Casa da Cáritas, projetos alinhados às causas que defende, além de criar uma startup de consultoria privada.

Fonte/ Correio Brasiliense

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