8 agosto 2022 6:04
8 agosto 2022 6:04

Menino morre após passar 1 ano com prego no pulmão na Bahia; família acusa hospital de negligência

Família levou a criança várias vezes a uma unidade municipal de saúde de Canavieiras, no sul do estado, e diz que nenhum exame foi pedido. Objeto perfurou os pulmões do menino. Prefeitura investiga o caso.

Por g1 BA e TV Santa Cruz

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Um garoto de 3 anos, natural da cidade de Canavieiras, no sul da Bahia, morreu após passar um ano com um prego no pulmão. Os pais levaram a criança ao hospital várias vezes, mas só descobriram o material no corpo do menino quando resolveram fazer um exame por conta própria.

Em junho de 2021, Clarice Araújo e Cosme Conceição perceberam que o pequeno Cauan Araújo Conceição teria engolido um objeto, mas não conseguiram identificar o que era. O pai então levou a criança até o Hospital Municipal de Canavieiras.

“Naquela noite, eu senti que ele estava engasgado, saiu até sangue da boquinha dele. Aí, imediatamente, eu levei para o hospital, na mesma noite. Chegando lá no hospital, o médico olhou e falou que não tinha nada na garganta da criança. Aí a gente voltou”, contou Cosme.

Depois disso, Cauan foi levado ao hospital várias vezes, sempre com as mesmas dores. Clarice contou que, com o passar do tempo, os sintomas ficaram mais intensos.

“Ele ficava sentindo febre e tossindo demais. De um tempo para cá, a dor foi começando a chegar. Uma dor do lado direito dele, que ele ficava andando torto, de lado. A gente sempre levando no hospital, e ele só davam medicamento. Aí quando o efeito do medicamento passava, a dor e a febre continuavam vindo”, lembrou ela.

A penúltima entrada do garoto no hospital da cidade foi no dia 27 de junho. A médica que o atendeu disse à família que ele estava com sintomas de asma. Assim como das outras vezes em que os pais levaram o menino ao hospital, nenhum exame médico foi solicitado.

Menino morre após passar 1 ano com prego no pulmão — Foto: Reprodução/TV Santa Cruz

A profissional receitou medicamentos, passou uma nebulização e liberou a criança de volta para casa. Com o agravamento das dores do filho, Clarice e Cosme fizeram um exame de raio-x particular, onde identificaram a gravidade do problema do filho. A família então retornou com o garoto para o hospital.

“Aí chegou lá, deram medicamento a ele e mandou ficar na espera de alguma regulação para ser transferido. Aí ele foi transferido para Salvador”, disse a mãe de Cauan.

Menino morre após passar 1 ano com prego no pulmão — Foto: Reprodução/TV Santa Cruz

Já no Hospital Geral do Estado (HGE), o garoto passou por uma cirurgia para retirar o prego. Os médicos identificaram que o material havia perfurado os dois pulmões de Cauan chegou a ficar internado dois dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas ele não resistiu.

No laudo médico, a causa da morte de Cauan foi identificada como broncopneumonia. Os pais do pequeno acreditam que ele morreu vítima da negligência nos atendimentos médicos no Hospital Municipal de Canavieiras.

“Nunca me deram o pedido para eu correr atrás. Mesmo que eles não pudessem fazer no hospital, me davam pelo menos o pedido para eu cuidar de meu filho em uma clínica particular. Sempre só medicamento, nunca teve solicitação de exame nenhum”, lamentou Clarice.

Menino morre após passar 1 ano com prego no pulmão — Foto: Arquivo pessoal

Para Cosme, se os profissionais do hospital tivessem identificado logo o prego, talvez o garoto tivesse sobrevivido.

“Se ele ‘caçassem’ providencia logo, meu filho estaria vivo aqui. Meu filho era uma parte de mim. É doído a pessoa perder um filho. Eu quero justiça para que não aconteça mais isso, para que não aconteça com outras crianças”.

Por meio de nota, a Secretaria de Saúde de Canavieiras informou que, na última segunda-feira (27), foram solicitados exames para a criança, e que uma consulta com uma pediatra foi marcada para o dia seguinte, no dia 28, mas a pediatra ficou doente e não houve o atendimento.

A nota disse ainda que a família não tinha buscado atendimento antes desse dia. A família, no entanto, tem papéis que comprovam que estiveram na unidade. A secretaria informou que o caso está sob investigação.

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