3 julho 2022 10:18
3 julho 2022 10:18

Jornal New York Times alerta para risco de intervenção Militar em eleições no Brasil

Militares prestam continência a Bolsonaro. New York Times diz ver risco de intervenção Militar se for realmente preciso.

Por Redação Ecos da notícia

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O jornal norte-americano New York Times publicou ontem artigo em que, após consultar militares, políticos e integrantes do Poder Judiciário brasileiro, o colunista Jack Nicas afirma que o presidente Jair Bolsonaro (PL) tem apoio de militares para tentar realizar um golpe de Estado caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vença a eleição ao Palácio do Planalto deste ano.

“Apesar das poucas evidências de fraudes passadas, o presidente Jair Bolsonaro (PL) há muito tempo levanta dúvidas sobre o processo eleitoral do Brasil. Agora, os militares estão expressando preocupações semelhantes”, diz a reportagem.

 

A publicação do texto, que foi destaque na página principal do site do New York Times, deu-se dias depois de o ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, afirmar em ofício ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que as Forças Armadas “não se sentem devidamente prestigiadas” pela Corte Eleitoral.

O documento rebate análise do tribunal que apontou erros de cálculos e confusões de conceitos ao rejeitar, em maio, sete propostas dos militares de mudanças nos procedimentos das eleições. A Defesa reforçou as suas propostas ao TSE no momento em que Bolsonaro amplia os questionamentos ao processo eleitoral e faz insinuações golpistas.

New York Times questiona qual papel os militares tomarão caso Bolsonaro resolva dar um golpe de Estado. Pesquisa de intenção de votos realizada pelo Datafolha mostrou que Lula lidera a corrida eleitoral de 2022 para Presidência da República e venceria o pleito em primeiro turno. Com 48%, o petista tem mais intenções de voto do que os demais pré-candidatos somados (40%). Levando em conta apenas os votos válidos, o petista chega a 54%, enquanto Bolsonaro alcança 30%.

Com todos os votos considerados — inclusive brancos, nulos e não sabem — o presidente Jair Bolsonaro tem 27% e Ciro Gomes aparece com 7%. Os demais atingem no máximo 2%. Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, eles não alcançam os primeiros colocados. Outro dado destacado da pesquisa pelo jornal norte-americano é de que 55% dos entrevistados disseram acreditar que a eleição é vulnerável a fraudes. Desse total, 81% são apoiadores de Bolsonaro.

Falas de Bolsonaro aumentam tensão’ Segundo o New York Times, as declarações feitas pelo presidente, e ecoada por alguns líderes militares do alto escalão, de que a eleição está aberta a fraudes têm criado clima de tensão no país. A reportagem do New York Times compara a abordagem de Bolsonaro sobre as eleições às do ex-presidente dos EUA Donald Trump, que também afirmou, sem apresentar provas, que fraudes nas eleições de 2020 provocaram a sua derrota nas urnas.

Os presidentes Jair Bolsonaro e Donald Trump, em reunião de 2019 em Washington. Foto arquivo retirada da Internet.

“As táticas de Bolsonaro parecem ter sido adotadas do manual do ex-presidente Donald J. Trump, e Trump e seus aliados trabalharam para apoiar as alegações de fraude de Bolsonaro. Os dois homens refletem um retrocesso democrático mais amplo que se desdobra em todo o mundo”, diz o texto do New York Times. Segundo o jornal norte-americano, a invasão ao Capitólio (prédio do Legislativo norte-americano), no ano passado, demonstra que as transferências pacíficas de poder não são mais garantidas mesmo em democracias maduras: “No Brasil, onde as instituições democráticas são muito mais jovens, o envolvimento dos militares na eleição está aumentando os temores”.

O jornal listou ainda declarações de Bolsonaro sobre suposta possibilidade de fraudes no processo eleitoral. “Faltando pouco mais de quatro meses para uma das votações mais importantes da América Latina em anos, um confronto de alto risco está se formando”, aponta o texto.

presidente da República, em ato político realizado em apoio ao deputado federal Daniel Silveira no fim de abril, repetiu que haveria uma “sala secreta” em que se centraliza a apuração dos votos —alegação desmentida pela Corte Eleitoral. Bolsonaro propôs ainda que as Forças Armadas atuem no processo eleitoral fazendo uma espécie de dupla checagem da apuração feita pela corte competente. “Não se fala ali em voto impresso. Não precisamos de voto impresso para garantir a lisura das eleições, mas precisamos de ter uma maneira —e ali naquelas nove sugestões existe essa maneira— para a gente confiar nas eleições”, afirmou.

O presidente do TSE, Edson Fachin, rebateu declarações feitas ontem pelo mandatário contra o sistema de votação eletrônico. Em resposta, Bolsonaro afirmou que não confia em Fachin e lembrou que o ministro foi relator de ação do STF (Supremo Tribunal Federal) que provocou a restauração dos direitos políticos de Lula.

Fonte/ Portal Uol

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