5 julho 2022 5:52
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Inverno vai começar com La Niña mais intensa em 23 anos, diz Metsul

Fenômeno La Niña persiste na nova estação com condição não vista em quase um quarto de século e favorece frio mais intenso.

Por Redação Ecos da notícia

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O inverno começa sob influência do fenômeno La Niña, o que poucas vezes ocorreu nas últimas décadas porque o fenômeno de resfriamento das águas do Oceano Pacífico Equatorial normalmente chega ao fim durante o outono após alguns meses e não prossegue na estação fria do ano no Hemisfério Sul.

A La Niña voltou a ganhar força no outono e fazia muito tempo que o Pacífico não se encontrava tão frio na região equatorial nesta época do ano, de acordo com os dados da série histórica mantidos pela agência NOAA. Com -1,1°C, abril de 2022 empatou com 1950 para maior anomalia negativa de abril no Pacífico Central.

A sua influência no inverno se dá mais na temperatura, favorecendo fortes incursões de ar frio com grandes ondas polares e às vezes eventos significativos de neve quando as anomalias são negativas.

LA NIÑA MAIS FORTE EM DÉCADAS NO OUTONO 

O comportamento do atual evento de La Niña foge ao que costuma se observar. O episódio que se iniciou em agosto do ano passado normalmente atinge seu pico de intensidade entre o fim do ano e o começo do ano seguinte. Na sequência, começa a perder intensidade e, via de regra, há uma transição para neutralidade no outono do ano seguinte. Não é o que ocorre em 2022.

O atual episódio de La Niña está longe de terminar. O fenômeno seguirá atuando no inverno e tende a alcançar a primavera e talvez o verão de 2023 no Hemisfério Sul. Os dados ao longo do outono aumentaram as probabilidades de La Niña no final deste ano. Já para o verão de 2023, embora não se descarte que persista, é cedo para prognósticos com maior confiabilidade pois se está ainda no intervalo entre março e junho que todos os anos é chamado de “barreira de previsibilidade” em que as projeções de longo prazo para o Pacífico se tornam menos confiáveis.

A La Niña se caracteriza pelo resfriamento das águas superficiais da faixa equatorial do Oceano Pacífico com a alteração do regime de vento na região que impacta o padrão de circulação geral da atmosfera em escala global, inclusive no Brasil. Quando há um evento de La Niña há uma tendência de a Terra esfriar ou na fase atual de apresentar aquecimento menor que haveria estivesse sob El Niño.

No caso do Rio Grande do Sul, há estudos mostrando efeitos em produtividade agrícola pelas diferentes fases do Pacífico. Estes trabalhos levam em conta décadas de dados. Quando sob neutralidade a produtividade ficou bastante dividida: acima da média em um terço dos anos, abaixo da média em outro terço e acima no terço restante.

Sob El Niño, a tendência maior foi de aumento de produtividade e com La Niña verificou-se uma probabilidade maior de perdas na produção. Há uma propensão a se fazer uma correlação entre El Niño e mais chuva no Sul do Brasil e La Niña a um maior risco de estiagem, mas esta é uma fórmula distante de correta e existem muitas ressalvas a serem feitas do ponto de vista histórico.

Nenhum evento de La Niña é igual ao outro. Apesar de a grande maioria das estiagens no Sul do país ter ocorrido sob neutralidade ou La Niña, a maior seca do Rio Grande do Sul neste século, em 2005, se deu com o Pacífico Equatorial oficialmente numa condição de El Niño. Da mesma forma já houve muitos meses bastante chuvosos e até enchentes durante episódios de La Niña, como se está vendo neste ano no Sul do Brasil. No caso do último verão, por exemplo, a MetSul enfatizava a alertava enfaticamente muito meses antes que o evento de La Niña poderia trazer estiagem forte a severa, como ocorreu com perdas no milho e na soja durante o último verão com quebra significativa da safra em algumas regiões, alerta que renova para a cultura de milho na safra 2022-2023.

Fonte/ Portal auonline.com

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