4 julho 2022 5:10
4 julho 2022 5:10

Desaparecidos na Amazônia: o que já se sabe sobre o caso

Indigenista Bruno Araújo Pereira e o jornalista inglês Dom Phillips sumiram no domingo (5) quando iam para Atalaia do Norte (AM).

Por Redação Ecos da notícia

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No último domingo 05 de junho, o indigenista Bruno Araújo Pereira, e o jornalista inglês Dom Phillips, correspondente do jornal “The Guardian”, foram reportados como desaparecidos no Vale do Javari, no Amazonas. Até então, houve pouca evolução no esclarecimento do caso. Cinco pessoas que tiveram contato com os desaparecidos, foram interrogadas pela Polícia Civil, e liberadas em seguida, sendo quatro na condição de testemunhas, e uma considerada suspeita.

Segundo a União das Organizações Indígenas do Vale do Javari (Univaja), Phillips seguia para uma localidade chamada Lago do Jaburu para entrevistar indígenas, acompanhado do brasileiro.

Uma nota divulgada pela Univaja, assinada também por outras associações representantes de povos indígenas, informou que a dupla desapareceu no trajeto entre a comunidade Ribeirinha São Rafael até a cidade de Atalaia do Norte (AM).

De acordo com as entidades, o indigenista é alvo de ameaças de madeireiros e garimpeiros que tentam invadir terras indígenas na região. Bruno Pereira é tido como experiente e profundo conhecedor da região, já que foi coordenador regional da Fundação Nacional do Índio (Funai) de Atalaia do Norte por anos.

“Os dois desaparecidos viajavam com uma embarcação nova, 40 HP, com 70 litros de gasolina, o suficiente para a viagem, e sete tambores vazios de combustível. Enfatizamos que na semana do desaparecimento, conforme relatos dos colaboradores da Univaja, a equipe recebeu ameaças em campo. A ameaça não foi a primeira: outras já vinham sendo feitas a demais membros da equipe técnica da Univaja, além de outros relatos já oficializados para a Policia Federal, Ministério Público Federal em Tabatinga, ao Conselho Nacional de Direitos Humanos e ao Indigenous Peoples Rights International”, afirmou a associação.

Equipes da Funai, da Força Nacional e da Polícia Federal estão envolvidas nas buscas dos desaparecidos, embora a Univaja tenha cobrado, nesta terça-feira (7), celeridades nas investigações.

“Com exceção de seis policiais militares e uma equipe da Funai, que iniciaram as buscas ainda ontem [segunda, dia 6] junto com a equipe da Univaja, as informações acerca do cenário das buscas revelam omissão dos órgãos federais de proteção e segurança, assim como das Forças Armadas”, diz a nota divulgada na terça pelo grupo.

Investigação

A Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) informou, na noite desta terça-feira, que segue com as investigações sobre o desaparecimento do indigenista e do jornalista.

Segundo o delegado da 50ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP), Alex Perez, foi instaurado um inquérito policial e, até a noite desta terça, cinco pessoas foram ouvidas, sendo quatro na condição de testemunhas e outra como suspeita.

“A SSP-AM reforça que, até o momento, ainda não há confirmação de pessoas presas por envolvimento no caso.”

Operação de buscas

A Funai informou na terça-feira que 15 servidores do órgão e da Força Nacional de Segurança Pública estão na região para buscas de informações e pistas dos desaparecidos.

São quatro embarcações em deslocamento na área, uma partindo da Base de Proteção Etnoambiental (Bape) Itui-Itaquaí, duas saindo de Atalaia do Norte e uma embarcação saindo da Bape Quixito para percorrer o trajeto do rio Quixito, reforçando os trabalhos nas áreas de busca.

Em nota, a Polícia Federal informa que, em reforço à equipe de buscas “foi enviada mais uma aeronave com policiais federais e integrantes do exército à região compreendida entre a frente de proteção etnoambiental itui-itauqai e o município de Atalaia do Norte (AM), região noroeste do Amazonas”.

O Comando Militar da Amazônia (CMA) afirmou que tem realizado ações emergenciais e humanitárias nas buscas pela dupla.

“A 16º Brigada de Infantaria de Selva tem conduzido as operações de Busca e Salvamento com, aproximadamente, 150 militares especialistas em operações em ambiente de selva que conhecem o terreno onde se desenvolvem as buscas. O 4º Batalhão de Aviação do Exército (4º BAvEx) somará a este esforço a capacidade aeromóvel, apoiando o deslocamento de agentes da Polícia Federal e agregando mobilidade às equipes interagências na área de operações por meio de um helicóptero.”

Mapa: Murillo Ferrari, da CNN Brasil Criado com Datawrapper.

Leia abaixo a nota do Itamaraty sobre o desaparecimento

“Desaparecimento do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips na Amazônia

O Governo brasileiro tomou conhecimento, com grande preocupação, da notícia de que o jornalista britânico Dom Phillips e o indigenista Bruno Pereira estão desaparecidos na região do Vale do Javari, na Amazônia.

Mobilizado desde logo, o Departamento de Polícia Federal (PF) está atuando naquela região e tomando todas as providências para localizá-los o mais rápido possível. A PF fez repetidas incursões e tem contado com o apoio da Marinha do Brasil, que se somou aos esforços nos trabalhos de buscas de ambos os cidadãos.

O Governo brasileiro seguirá acompanhando as buscas com o zelo que o caso demanda e envidando os esforços necessários para encontrar prontamente o profissional da imprensa britânica e o servidor da Fundação Nacional do Índio.

Na hipótese de o desaparecimento ter sido causado por atividade criminosa, todas as providências serão tomadas para levar os perpetradores à Justiça.

Os familiares e colegas de trabalho dos desaparecidos serão mantidos a par do progresso das buscas.”

Nota da Polícia Federal

“A Polícia Federal informa que desde que tomou conhecimento do desaparecimento do indigenista Bruno Araújo Pereira, da Fundação Nacional do Índio (Funai), e do jornalista inglês Dom Phillips, colaborador do jornal The Guardian, vem realizando medidas investigativas e de inteligência policial visando o esclarecimento dos fatos e a resolução do caso.

Na data de ontem, 06/06/2022, com o apoio da Marinha, foram realizadas incursões na calha do Rio Itaquaí, mais precisamente no trecho compreendido entre a frente de proteção etnoambiental itui-itauqai e o município de Atalaia do Norte/AM, região noroeste do Amazonas.

Das diligências efetuadas foi possível identificar 02 (duas) pessoas que tiveram contato com os desaparecidos, as quais foram encaminhadas à Polícia Civil de Atalaia do Norte para prestar esclarecimentos. Porém, nenhuma delas foi presa.

No início da manhã de hoje, 07/06/2022, as buscas foram retomadas pela Marinha e a Polícia Federal, com novas incursões no rio e com o apoio de helicóptero sobrevoando a região.

Fonte/ CNN BRASIL

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