9 maio 2022 5:29
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Rapaz que perdeu a mãe viraliza com registro no Street View que a flagrou no portão de casa: ‘Sempre que eu saía, me esperava na porta

O nutricionista Cristiano Silva, 29 anos, perdeu a mãe há quase 2 anos e contou que se emociona toda vez que procura o endereço na plataforma do Google.

Por G1 Pará

Uma publicação para o Dia das Mães do nutricionista Cristiano Silva da Cruz, de 29 anos, viralizou nas redes sociais no domingo (8).

O post mostra um registro da mãe dele, Edna Cristina Silva da Cruz, na porta de casa, feito pelo Google Street View, no endereço da casa da família, em Belém.

Dona Cristina faleceu 1 ano e seis meses antes da postagem, vítima de Acidente Vascular Cerebral (AVC), segundo o filho.

“Sempre que eu saía e demorava muito pra voltar, minha mãe me esperava na porta ou na janela, acho que por preocupação. Quando eu tô com muita saudade eu abro o Google Maps e vejo essa foto dela me esperando chegar. Que você tenha um feliz dia das mães aí no céu, saudades demais”, diz ele na publicação.

Em entrevista ao g1, Cristiano, que atualmente cursa educação física na Universidade Federal do Pará (UFPA), contou que um dia estava entediado e foi procurar o endereço dele no mapa, quando teve “a emocionante surpresa de terem registrado esse momento”.

“Ela tinha um cuidado comigo e com meus irmãos, tirei um print e guardei, mas sempre ia lá para reviver um pouco da emoção de quando a encontrei lá”.

O nutricionista revela que a mãe era “uma pessoa muito forte e resiliente” e convivia com uma doença, que ela não deixava que abalasse seu bom humor.

“Foi mãe solteira na adolescência e, desde sempre, junto com meus avós e a família, se esforçou para proporcionar uma vida digna e feliz para mim e meus irmãos, enfrentou uma leucemia mielóide crônica e fazia tratamento, mas nunca perdia o sorriso do rosto”, descreve.

“As maiores lembranças são dela rindo e feliz, com as pessoas próximas dela. Era muito amada e querida. Tenho memórias dela me levando para a escola, para vacinar (e tentando me convencer que não ia doer), das brincadeiras e dos deveres de casa, na minha solenidade de formatura. Lembro muito da felicidade dela nas minhas aprovações no vestibular”.

 

Cristiano Cruz, ao lado da mãe, no dia de sua formatura. — Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal

Esse dia 9 de maio foi o segundo Dia das Mães sem a dona Cristina, conta o filho.

“Acordei bem desanimado, chorei escondido o dia todo quase, vi a casa em silêncio, sem a risada e a fala dela alta, fazendo graça. As plantinhas ali tão bonitas, que hoje são meus irmãos que cuidam. Uma das lembranças mais dolorosas foi ter visto a gatinha de estimação dela, que partiu em fevereiro do ano passado. Após a morte da minha mãe, ela miava, a procurando pela casa, porque dormiam sempre juntas“, ele relembra.

“O dia das mães é pesado, mas piores são os dias comuns, ao chegar em casa e não a ver e nem poder mais rir junto com ela, de alguma bobagem”.

Viral

Em 24 horas, o post de Cristiano já havia obtido mais de 270 mil curtidas. Ele conta que publicou, foi dormir e, quando acordou, a foto já havia circulado entre milhares de internautas.

Postei a princípio por emoção e para meus amigos verem o carinho dela, saí um pouco das redes, e quando vi estava com uma repercussão enorme. Amigos me mostrando páginas que repostaram, muitos comentários e pessoas se identificando. Apareceu muita gente se solidarizando com a situação e enviando palavras de conforto e carinho”.

Nessas horas que a gente vê que nossa dor, apesar de única, pode ser compartilhada por muita gente. Nesse contexto de pandemia, muitos perderam a mãe e outros familiares, mas nesse momento a dor nos une”.

Dona Cristina tinha 46 anos quando faleceu, segundo o filho. Ela estudou até o ensino médio e parou para de ir à escola para trabalhar. Ela foi vendedora em loja de roupa, babá e fazia serviço doméstico.

“Foi uma pessoa simples, humilde, solícita e muito amada, além de solidária com muita gente, por isso foi tão querida por quem a conheceu“, diz Cristiano, que ainda mora no mesmo bairro em que a mãe viveu.

Um desejo para o Dia das Mães de Cristiano, que hoje acumula duas áreas de estudo no ensino superior, era poder dizer à mãe: “eu consegui, mãe, realizei nossos sonhos”.

Dona Cristina, e o filho Cristiano, em sua última viagem juntos, à Mosqueiro, ilha de Belém. — Foto: Reprodução / Arquivo Pessoal

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