4 julho 2022 7:39
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Inflação de maio é a maior para o mês desde o ano de 2016: 0,59%, diz o IBGE

Em 12 meses, índice fica acima dos 12,03% e o fator de maior pressão para a alta foi o setor de transportes

Por Tião Maia, da Redação Ecos da Notícia

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O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) divulgou nesta terça-feira, 24, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) relativo ao mês de maio, que foi de 0,59%. Isso eleva o para 1,14 o ponto percentual (p.p.) abaixo da taxa registrada em abril (1,73%). Essa é a maior variação para um mês de maio desde 2016, quando o índice foi de 0,86%. No ano, o IPCA-15 acumula alta de 4,93% e, em 12 meses, de 12,20%, acima dos 12,03% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em maio de 2021, a taxa foi de 0,44%.

Oito dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados tiveram alta em maio. A exceção foi Habitação (-3,85%). A maior alta veio de Saúde e cuidados pessoais (2,19%), que contribuiu com 0,27 p.p. no índice do mês. Já o maior impacto positivo (0,40 p.p.) veio dos Transportes (1,80%), que desaceleraram em relação a abril (3,43%), assim como aconteceu com Alimentação e bebidas (1,52% em maio frente aos 2,25% do mês anterior). Os demais grupos ficaram entre o 0,06% de Educação e o 1,86% de Vestuário.

Dentre os itens e subitens de maior impacto no índice do mês, destacam-se: produtos farmacêuticos (5,24%), com 0,17 p.p., higiene pessoal (3,03%), com 0,11 p.p.; passagem aérea (18,40%), com 0,09 p.p.; gasolina (1,24%), com 0,08 p.p.; e etanol (7,79%), com 0,07 p.p.

A queda do grupo Habitação (-3,85%) foi puxada pela energia elétrica (-14,09%). A partir de 16 de abril, passou a valer a bandeira verde, em que não há cobrança adicional na conta de luz. Desde setembro de 2021, estava em vigor a bandeira Escassez Hídrica, com acréscimo de R$ 14,20 a cada 100 kWh consumidos. As variações das áreas foram desde -17,62% em Curitiba até -2,18% em Fortaleza, onde houve reajuste de 24,23% nas tarifas, válido desde 22 de abril. Na mesma data, foi aplicado um reajuste tarifário de 20,97% em Salvador (-4,82%) e, no dia 29 de abril, um reajuste de 18,77% em Recife (-8,20%).

Ainda em Habitação, destaca-se, no lado das altas, o aumento de 0,81% no gás encanado, consequência do reajuste de 5,95% aplicado no Rio de Janeiro (2,58%), em vigor desde 1° de maio. Também houve alta da taxa de água e esgoto (0,55%), decorrente do reajuste de 12,89% em São Paulo (1,72%), vigente desde 10 de maio.

O resultado do grupo Saúde e cuidados pessoais (2,19%) foi influenciado pela alta nos preços dos produtos farmacêuticos (5,24%), na esteira do reajuste de até 10,89% autorizado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Além disso, houve alta de 3,03% nos itens de higiene pessoal, com impacto de 0,11 p.p. no IPCA-15 de maio.

Nos Transportes (1,80%), a maior contribuição (0,09 p.p.) veio das passagens aéreas (18,40%), cujos preços subiram pelo segundo mês consecutivo (a alta havia sido de 9,43% em abril). Os combustíveis (2,05%) também seguem em alta, embora a variação tenha sido inferior à registrada no mês anterior (7,54%). A gasolina, em particular, subiu 1,24%, enquanto o etanol subiu 7,79%. Merece destaque também o seguro de veículo (3,48%), que já acumula 18,24% de variação no ano.

Ainda em Transportes, cabe mencionar a variação positiva do subitem táxi (5,94%), por conta dos reajustes de 41,51% nas tarifas em São Paulo (20,15%), em vigor desde 2 de abril, e de 14,10% em Fortaleza (12,95%), a partir de 12 de abril. No Rio de Janeiro, as passagens de metrô foram reajustas em 12,07%, com o novo valor válido desde 2 de abril. Com isso, o resultado nacional do subitem metrô ficou em 2,17% e o da região metropolitana fluminense ficou em 6,56%. Já no subitem ônibus urbano (0,17%), houve reajuste de 11,11% no preço das passagens em Belém (4,17%), vigente desde 28 de março.

No grupo Alimentação e bebidas (1,52%), a maior influência veio dos alimentos para consumo no domicílio (1,71%). Entre os itens com as maiores altas, destacam-se o leite longa vida (7,99%) e a batata-inglesa (16,78%), com impactos de 0,06 p.p. e 0,04 p.p., respectivamente. Além disso, também foram registradas altas em outros alimentos importantes na cesta de consumo dos brasileiros, como a cebola (14,87%) e o pão francês (3,84%). No lado das quedas, observou-se redução nos preços das frutas (-2,47%), do tomate (-11%) e da cenoura (-16,19%). Esta última havia apresentado alta expressiva em abril (15,02%).

A alimentação fora do domicílio acelerou na passagem abril (0,28%) para maio (1,02%). Isso ocorreu principalmente por conta do lanche, que registrou alta de 1,89%, frente à variação de 0,07% no mês anterior. A refeição (0,52%), por sua vez, apresentou resultado mais próximo ao registrado em abril (0,45%).

Por fim, destaca-se a alta de Comunicação (0,50%), dados os reajustes em vários serviços, como tv por assinatura (4,00%), plano de telefonia móvel (0,36%) e correio (2,41%).
Quanto às regiões, todas as áreas pesquisadas tiveram alta em maio. A maior variação ocorreu em Fortaleza (1,29%), especialmente por conta dos itens de higiene pessoal (3,59%) e do reajuste de 24,23% nas tarifas de energia elétrica (-2,18%), que ocasionou uma redução menor no subitem que a observada em outras áreas. O menor resultado foi verificado em Curitiba (0,12%), onde, além do recuo de quase 18% da energia elétrica (-17,62%), houve também queda nos preços de alimentos como a cenoura (-19,88%) e o tomate (-13,72%).

Para o cálculo do IPCA-15, os preços foram coletados no período de 14 de abril a 13 de maio de 2022 (referência) e comparados com aqueles vigentes de 17 de março a 13 de abril de 2022 (base). O indicador refere-se às famílias com rendimento de 1 a 40 salários-mínimos e abrange as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e do município de Goiânia. A metodologia utilizada é a mesma do IPCA, a diferença está no período de coleta dos preços e na abrangência geográfica.

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