22 maio 2022 11:57
22 maio 2022 11:57

Homem é condenado a mais de 30 anos de prisão por matar a ex-mulher enquanto ela implorava para não ser morta

Reginaldo Pereira matou Érica Sousa na frente da filha. Defesa informou que vai recorrer da decisão.

Por redação ecos da notícia

Reginaldo Pereira da Silva foi condenado a mais de 30 anos de prisão por matar a ex-mulher Érica Sousa de França da Silva, de 40 anos, em Planaltina de Goiás, no Entorno do Distrito Federal. Na época, a filha do casal falou que viu a mãe implorar para não ser morta e gritando “por favor, não atira”.

Ao g1, a defesa de Reginaldo informou que vai recorrer da decisão. O advogado disse que o réu alega arrependimento pelo crime e que vai requerer anulação do júri referente à acusação dos crimes praticados contra policiais (veja nota completa no fim do texto).

O crime aconteceu em 13 de outubro de 2019 e a decisão foi publicada na última terça-feira (3). A sentença descreveu que além do feminicídio, Reginaldo foi condenado também por tentar matar dois policiais militares, que efetuaram a prisão, e ameaçar o namorado da vítima.

(veja abaixo a descrição de cada condenação).

  • Crime contra Érica: 32 anos, 5 meses e 10 dias de prisão
  • Crime contra um dos PMs: 2 anos e 4 meses de prisão
  • Crime contra o segundo PM: 2 anos e 4 meses de prisão
  • Crime contra o companheiro da vítima: 2 meses e 10 dias de detenção
  • Total: 37 anos 1 mês e 10 dias de reclusão + 2 meses e 10 dias de detenção
Reginaldo Pereira da Silva, 45 anos, preso suspeito de matar a ex a tiro em Planaltina de Goiás — Foto: Divulgação/Polícia Militar

Conforme os autos do processo, Reginaldo e Érica foram casados por 23 anos e tinham três filhos, mas estavam separados quando aconteceu o assassinato. A filha do casal, que presenciou a morte da mãe, informou que o pai não aceitou o fim do relacionamento.

“Ele dizia: ‘não aceito sua mãe com outra pessoa, caso isso aconteça, irei matá-la’”, disse a jovem na época do crime.

A juíza Christiana Aparecida Nasser Saad narrou na sentença que Reginaldo conseguiu cópia das chaves da casa de Érica, sem que ela soubesse, e até parou de tomar medicamentos para criar coragem de matá-la. Por isso, a magistrada concluiu que o homem agiu de forma premeditada e consciente.

Érica era telefonista no fórum da cidade e irmã de dois servidores da comarca. Segundo o Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), o plenário no Tribunal do Júri estava lotado com funcionários, familiares e amigos da vítima.

Érica Sousa de França da Silva, 40 anos, morta a tiro pelo ex-marido, segundo Polícia Civil, Planaltina de Goiás — Foto: Reprodução/Redes sociais
Érica Sousa de França da Silva, 40 anos, morta a tiro pelo ex-marido, segundo Polícia Civil, Planaltina de Goiás — Foto: Reprodução/Redes sociais

Relacionamento conturbado

A filha, que em 2019 tinha 18 anos, contou na delegacia que, antes mesmo da separação dos pais, o homem tinha um comportamento agressivo em casa e já tinha ameaçado de morte a vítima.

Segundo a filha relatou em depoimento, Reginaldo Pereira da Silva costumava quebrar objetos na residência, xingar e dizer que mataria Érica Sousa de França, de 40 anos, que era deficiente física.

Antes do crime o homem teria feito ligações e enviado mensagens ameaçando Érica, que há três meses antes da morte, a mãe teria começado a namorar, o que fez com que o pai se tornasse mais violento.

A jovem informou ainda na delegacia que cerca de uma hora antes do pai matar a mãe aconteceu a última ligação, na qual ele fez vários xingamentos e ameaças.

O crime

Conforme o depoimento da jovem, por volta das 20h, Reginaldo chegou de moto à casa da família abriu o portão. Érica estava em casa com a filha e o atual namorado.

A jovem informou que ao perceber a presença do pai, a Érica pediu que o companheiro se escondesse em um quarto. A vítima, segundo a filha, estava tentando ligar para a polícia, quando Reginaldo quebrou um vidro e conseguiu entrar na casa, forçando uma porta e empurrando ela, que tentou impedir a entrada dele.

No relato feito à polícia, a filha descreveu que o pai pegou a arma de fogo, e Érica gritou implorando para que ele não atirasse. Ao ouvir três disparos, a jovem correu para se esconder no banheiro. Ela contou que o pai ainda foi até o quarto onde estava o namorado da mãe e tentou arrombar a porta, disparando mais alguns tiros.

Filha ameaçada

A jovem relatou também no depoimento que antes do seu pai fugir ainda questionou ao pai o motivo de ter matado Érica. “Ele disse: sai da minha frente senão eu atiro em você”. Logo em seguida, o homem pegou o capacete e fugiu.

Segundo o delegado responsável pelo caso na época, Cristiomário Medeiros, Reginaldo foi encontrado pela Polícia Militar em uma casa onde já havia morado. Registros policiais relatam que o investigado recebeu os policiais a tiros. Após três horas de negociação, ele se rendeu e confessou o crime.

Conforme o delegado, o homem admitiu ter matado a ex-mulher porque não aceitava o fim do relacionamento.

Nota defesa de Reginaldo Pereir

O recurso próprio foi interposto em sessão plenária, a motivação da defesa é o artigo 593 inciso III letra C e D do Código de Processo Penal.

Cumpre salientar que os 37 anos de condenação não foram todos do crime contra Erica e houve condenação pelos supostos crimes praticados contra policiais, motivo que entendo ser a decisão dos jurados manifestamente contrária a prova dos autos, vou requerer a anulação do júri.

Subsidiariamente a pena diante daquilo que preconiza o artigo 121 mesmo que na forma qualificado a juíza presidente do tribunal do júri se excedeu ao aplicar a pena muito além daquilo que é aceitável pela jurisprudência.

Mesmo que a acusação contra Erica seja justa a aplicação da lei penal deve ser respeitada em seu patamar.

Reginaldo alega arrependimento diante dos atos praticados.

Fonte: G1 Goiás

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