18 agosto 2022 6:21
18 agosto 2022 6:21

Asma alérgica pode ser fator de risco para doenças cardiovasculares

Estudo publicado na revista científica Nature cardiovascular research constata que a asma alérgica e outras alergias estão associadas ao risco de doenças cardiovasculares

Por Correio Braziliense

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Pessoas com histórico de asma ou alergias podem apresentar um maior risco de desenvolver pressão alta e doenças cardiovasculares. Um artigo publicado na revista científica Nature cardiovascular research mostrou que a asma alérgica pode estar associada ao risco de doenças cardiovasculares (DCV).

A pesquisa feita por especialistas em cardiologia, pneumologia e ciência básica do Brigham and Women’s Hospital investigou evidências de que a asma alérgica e outras alergias associadas podem ser fatores de risco para DCV e como os medicamentos administrados para tratar a asma também podem influenciar o risco de DCV.

“Muitas pessoas pensam na asma como uma doença dos pulmões, mas há uma ligação importante entre a asma e as doenças cardiovasculares, tais como doenças coronárias, hipertensão e outras”, explica Guo-Ping Shi, um dos autores. “Tenho estudado esta área por mais de 20 anos e as evidências que vemos de estudos clínicos, bem como de pesquisas básicas, apontam a asma alérgica como um importante fator de risco que clínicos e pacientes precisam estar cientes ao considerar o risco pessoal.”

Shi e outros autores descreveram os estudos clínicos que demonstram a conexão entre a asma e doenças como doenças coronarianas, doenças da aorta, doenças arteriais periféricas, acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca e outras complicações cardíacas. O estudo examinou a DCV e doenças alérgicas relacionadas, tais como rinite alérgica, dermatite atópica e alergias graves a alimentos e medicamentos.

“As observações destes estudos sugerem que as reações alérgicas além da asma também são fatores de risco significativos para a DCV”, disse Shi. Os pesquisadores examinaram resultados de modelos pré-clínicos e estudos baseados em laboratório, que apontam para tipos específicos de células inflamatórias que podem se acumular nos pulmões, coração e vasculatura, ajudando a causar a asma e a DCV.

Os medicamentos também influenciam

Tanto os estudos clínicos quanto pré-clínicos apontaram mecanismos compartilhados para a DCV e a asma. Os pesquisadores analisaram alguns medicamentos para a asma que atuam em alguns desses mecanismos que podem ou não influenciar o risco de DCV.

– O albuterol inalado, conhecido como “bombinha de resgate”, medicamento a curto prazo conhecidos como broncodilatadores, de acordo com a pesquisa parecia reduzir o risco de DCV;
– Os corticosteróides orais e intravenosos, aparecem na pesquisa como possíveis causadores de aumento do risco de DCV. Já os corticóides inalados tendem a diminuir o risco de doenças cardiovasculares;

Os medicamentos modificadores de leucotrieno, tiveram efeitos benéficos, reduzindo a inflamação, os níveis de lipídios no sangue e os eventos cardiovasculares;
– Os medicamentos com anticorpos monoclonais apresentaram resultados diferentes, em um estudo encontrando maior risco e outros mostrando risco reduzido ou nenhum efeito sobre a DCV.

Os mastócitos, células secretoras multifuncionais do sistema imune que participam da regulação da resposta imunológica, que estão entre as células brancas são ativadas pela circulação e IgE em pacientes com asma ou alergias. Shi explica que uma série de estudos comprovam a noção de que de que mastócitos e IgE são dois componentes importantes tanto para a asma quanto para a DCV com mecanismos semelhantes.

Entretanto, alguns tipos de células podem desempenhar papéis diferentes na asma e na DCV. Por exemplo, os eosinófilos, tipo de glóbulo branco que se desenvolve na medula óssea e são responsáveis pela defesa do organismo contra parasitas e agentes infecciosos, também participam dos processos inflamatórios em doenças alérgicas e asma, parecem desempenhar um papel protetor na DCV, mas contribuem para a asma alérgica.

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