24 maio 2022 12:03
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Com preço da botija a mais de R$ 130, parcela do vale-gás não cobre nem 40% do valor do produto no AC

Beneficiários recebem a cada dois meses, o valor correspondente a 37% do preço médio regional de revenda do botijão de 13 kg. 'Uso fogão a lenha, principalmente quando a botija seca, até encher fico usando a lenha', diz agricultora.

Por Redação Ecos da Notícia

 

O valor do auxílio-gás de R$ 51 para o mês de abril, anunciado pelo Ministério da Cidadania nesta quinta-feira (14), cobre apenas cerca de 37% do valor do produto em cidades do interior do Acre, onde o preço do botijão tem média de até R$ 139 até R$ 145.

Os beneficiários recebem, a cada dois meses, o valor que deveria corresponder a pelo menos 50% do preço médio nacional de revenda do botijão de 13 kg. Porém, no estado acreano, o valor da parcela fica bem abaixo da metade.

De acordo com o último levantamento de preços da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), na semana de 3 a 9 de abril, os R$ 51 também não cobrem metade da botija de 13kg na capital Rio Branco, onde o preço médio do produto é de R$ 131,30. O mesmo vale para a segunda maior cidade do estado, Cruzeiro do Sul, onde a média de venda do gás é de R$ 132.


Agricultora Cleidiane Moura diz que valor da botija está muito alto — Foto: Jenildo Cavalcante/arquivo pessoal

A agricultora Cleidiane Moura, de 35 anos, moradora de ramal do Batoque, em Mâncio Lima, no interior do Acre, disse que tem uma família de cinco pessoas e, para poder economizar o gás, recorre ao fogão a lenha, já que a parcela recebida, apesar de ajudar, não cobre nem metade do que paga.

“Da última vez comprei de R$ 135 e tem quase três meses. Não está fácil, porque antes a gente pagava cerca de R$ 80 e agora já está esse valor todo. Para nós que trabalhamos em agricultura não está bom o preço, mas temos que comprar, não tem o que fazer porque precisamos”, contou.

A botija da agricultora Marcilene Lima, de 32 anos, acabou de secar e ela conta que com venda de hortaliças, fatura cerca de R$ 500 mensalmente mais o valor do Auxílio Brasil. Ela troca a botija a cada dois meses e afirma que tem que se desdobrar para pagar pelo produto já que somando a renda, não chega a um salário mínimo.

“É meio difícil para pagar. A minha está seca e vou ter que dar um jeitinho para trocar. Faz falta [tirar o valor da botija], porque tenho cinco filhos. Uso fogão a lenha, principalmente quando a botija seca, até encher fico usando a lenha. Já ajuda, o auxílio”, contou.

Redução

O pagamento do benefício é bimestral e teve redução de R$ 1, nesta parcela. E também teve redução do número de famílias contempladas.

No Acre, 51.121 famílias receberam o auxílio em fevereiro, de acordo com dados da diretoria de políticas de assistência social da Secretaria Estadual de Assistência Social, dos Direitos Humanos e de Políticas para Mulheres (Seasdham). Nesta quinta, a pasta informou que os dados com a redução só devem ser atualizados na próxima semana.

Neste ano, os pagamentos são feitos nos meses pares, nas mesmas datas das parcelas do Auxílio Brasil – que se baseiam no final de número de inscrição social (NIS).

Com isso, confira o calendário de pagamentos para o mês de abril, de acordo com o número final do NIS:

• 1: 14/abril
• 2: 18/abril
• 3: 19/abril
• 4: 20/abril
• 5: 22/abril
• 6: 25/abril
• 7: 26/abril
• 8: 27/abril
• 9: 28/abril
• 0: 29/abril

Quem tem direito?

• Famílias inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do governo federal (CadÚnico), com renda familiar mensal per capita menor ou igual a meio salário mínimo nacional (R$ 550);

• Famílias que tenham entre seus membros residentes no mesmo domicílio quem receba o benefício de prestação continuada da assistência social, o BPC, que prevê um salário mínimo mensal à pessoa com deficiência e ao idoso com 65 anos ou mais que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção nem a família.

• A lei estabelece que o auxílio será concedido “preferencialmente às famílias com mulheres vítimas de violência doméstica que estejam sob o monitoramento de medidas protetivas de urgência”.

Fonte: G1ACRE

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