17 agosto 2022 11:41
17 agosto 2022 11:41

Cinco presos acusados de roubar, matar e queimar família serão julgados

Por Da Redação Ecos da Notícia

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A Justiça marcou para as 10h desta segunda-feira (21) o início do júri popular dos cinco réus presos acusados de roubar, matar e queimar uma família em janeiro de 2020 no ABC Paulista. O caso também teve repercussão à época porque a filha das vítimas está envolvida nos assassinatos.

Os crimes foram cometidos em Santo André e em São Bernardo do Campo. O julgamento, que deverá durar até quarta-feira (23) no Fórum de Santo André, segundo a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).

O casal de empresários Romuyuki Veras Gonçalves, de 43 anos, e Flaviana de Meneses Gonçalves, de 40, e o filho deles, o estudante Juan Victor Gonçalves, de 15, foram mortos com golpes na cabeça durante um assalto na casa em que moravam, em um condomínio fechado em Santo André. Os crimes ocorreram em 27 de janeiro de 2020.

Os corpos foram encontrados carbonizados dentro do carro da família no dia seguinte pela polícia, em 28 de janeiro de 2020, em São Bernardo do Campo.

Entre os detidos preventivamente pelos crimes estão a filha do casal e irmã do garoto, Anaflávia Martins Gonçalves, e a então namorada dela, Carina Ramos de Abreu. Também foram presos os irmãos Juliano Oliveira Ramos Júnior e Jonathan Fagundes Ramos, que são primos de Carina. O quinto preso é Guilherme Ramos da Silva, vizinho dos irmãos Ramos.

O juiz Lucas Tambor Bueno, da Vara do Júri do Fórum de Santo André, presidirá o júri no mesmo local. Devido à pandemia não serão permitidas as presenças de público e da imprensa no plenário. Somente as partes envolvidas diretamente no processo poderão participar do júri, segundo o TJ-SP.

Os crimes

Segundo a acusação feita pelo Ministério Público (MP), três criminosos armados (Juliano, Jonathan e Guilherme) entraram no imóvel com a ajuda da filha do casal e da namorada dela (Anaflávia e Carina). Os cinco queriam roubar R$ 85 mil que estariam num cofre, mas, como não encontraram o dinheiro, decidiram levar pertences das vítimas e matá-las.

Os réus serão julgados pelos crimes de roubo, assassinato (homicídio doloso qualificado por motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou as defesas das vítimas) ocultação de cadáver e associação criminosa.

Os cinco réus foram presos durante as investigações da Polícia Civil. Câmeras de segurança haviam gravado a entrada da quadrilha na residência das vítimas (veja acima).

Além disso, os investigados confessaram envolvimento no assalto e foram indiciados pelos crimes. No entanto, em relatos durante a reconstituição do caso, eles divergiram sobre quem matou a família e colocou fogo no carro.

Anaflávia, de 24 anos, filha do casal e irmã do adolescente mortos, e a namorada dela, Carina, de 26 anos, acusam os irmãos Juliano, de 22, e Jonathan, de 23, de matarem a família e explodirem o veículo em que as vítimas estavam.

Juliano e Jonathan, por sua vez, acusam a prima Carina de matar os empresários e o adolescente e depois queimá-los.

Guilherme, de 19 anos, vizinho dos irmãos Ramos, acusa Juliano de querer assassinar o casal e o filho. Guilherme teria participado mais diretamente do roubo, e não dos assassinatos, segundo sua defesa.

Justiça

Em setembro, outubro e dezembro de 2020, ocorreram três sessões da audiência de instrução do caso na Justiça. Por causa da pandemia de coronavírus, ela foi feita por videoconferência, com os réus acompanhando tudo por monitores de vídeo nas prisões onde estão detidos preventivamente.

Essa etapa do processo serviu para o juiz ouvir depoimentos de testemunhas, além dos argumentos da acusação e da defesa dos réus.

Durante o interrogatório dos acusados, somente Anaflávia e Carina falaram – as então namoradas confirmaram a versão que já haviam dado na reconstituição do caso. Os irmãos Ramos e Guilherme ficaram em silêncio.

O que dizem as defesas

O g1 já conversou com as defesas dos acusados em outras oportunidades.

No ano passado, o advogado Leonardo José Gomes, que defende Guilherme, disse que “a Justiça está parecendo apressar a condenação, dando datas para júri sem que todos os fatos estejam incontroversos”.

“A acusação pegou todos, colocou num balaio e entregou em forma de pronúncia”, falou Leonardo. “Não houve individualização de atos ou maiores esclarecimentos, quiseram, e querem, passar a falsa sensação de justiça para todos que olham de fora, sem respeitar o devido processo legal ou os direitos de cada acusado. Este processo está longe de acabar.”

O advogado Lucas Domingos, que defende Anaflávia, filha do casal assassinado, disse que “a expectativa é de que consigamos fazer com que os jurados tomem conhecimento da verdade”.

“Anaflávia fora envolvida neste caso. Como dito anteriormente, ela teve participação apenas no roubo, em momento algum planejou, quis ou participou das mortes. Sendo assim, através da individualização da conduta de cada réu, pretende-se que a Anaflavia seja absolvida quanto aos homicídios, que como dito, nada tem a ver”, disse Lucas. “Por fim, também fica que a defesa tenta a cisão do júri quanto a ele, ou seja, a separação do julgamento quanto a ela, em fronte aos demais réus. Como inicialmente o juiz na aceitou, será tal decisão, passível de recurso.”

Fabio Costa, advogado de Carina, afirmou que sua cliente “não tem nenhum envolvimento com as mortes. O plano dela com a Anaflávia era roubar dinheiro que supostamente teria no cofre.”

Alessandra Jirardi, advogada dos irmãos Juliano e Jonathan Ramos, tinha afirmado que a demora da Justiça em julgar o caso se devia ao fato de que o Ministério Público ainda não ter feito as alegações finais ao juiz, conforme determinava o rito processual.

“Que seja possível instalar a sessão, que os jurados tenham serenidade e tranquilidade para julgar a causa, que os acusados sejam condenados a penas justas”, afirmou a promotora Manuela Schreiber, representante do MP, responsável por acusar os réus.

“As rés Ana Flávia e Carina agiram por cobiça, pretendendo alcançar o patrimônio das vítimas. Quanto aos acusados Jonathan, Juliano e Guilherme, a prova oral indica que agiram mediante promessa de recompensa”, escreveu o juiz Lucas na decisão do ano passado, que levou os acusados a júri.

Crimes dolosos (intencionais) contra a vida, como o homicídio cometido contra a família no ABC, são julgados por sete jurados. Ao magistrado, cabe apenas dar a sentença de absolvição ou condenação. A pena máxima para assassinato é de 30 anos de prisão e pode ser aumentada, a depender das qualificadoras envolvidas.

Fonte: G1 SP

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