5 julho 2022 3:55
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Acusado de matar a namorada e jogar corpo em cisterna é pronunciado a júri popular no Acre

Rodrigo Duarte Gomes deve ser julgado por júri popular por homicídio qualificado, feminicídio, furto e ocultação de cadáver. Justiça impronunciou Anderson Oliveira da Silva, também suspeito dos crimes.

Por G1 Ac

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A Justiça do Acre pronunciou a júri popular Rodrigo Duarte Gomes pelo homicídio qualificado da namorada, Rosiane Martins Cavalcante, de 26 anos. Além de matar, Gomes é acusado de jogar o corpo de Rosiane dentro de uma cisterna.

O corpo da jovem foi achado em setembro de 2020 na casa dela, no bairro Eldorado, em Rio Branco.

A 1ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Rio Branco pronunciou Rodrigo Gomes ao júri por homicídio qualificado, ocultação de cadáver, feminicídio e furto. Anderson Oliveira da Silva, outro suspeito citado no processo, não vai a júri popular.

Além da pronúncia, a juíza Luana Campos, titular da vara, determinou que Rodrigo Duarte seja mantido preso preventivamente.

“Neste momento não vislumbro elementos novos capazes a autorizar a concessão de sua liberdade visto que ainda persiste o requisito da garantia da ordem pública, porquanto o réu já registrava antecedentes, cumpria pena por crime de roubo e estava evadido do sistema prisional, bem como presente o fundamento da garantia da aplicação da lei penal, porque o réu fugiu da delegacia de polícia e foi posteriormente capturado”, diz parte da decisão.

A reportagem não conseguiu contato com o advogado de Rodrigo Gomes citado no processo.

Rosiane Cavalcante foi morta e jogada dentro de uma cisterna com fio enrolado no pescoço — Foto: Reprodução

Rosiane Cavalcante foi morta e jogada dentro de uma cisterna com fio enrolado no pescoço — Foto: Reprodução

Audiência

Em outubro de 2021, a 1ª Vara do Tribunal do Júri em Rio Branco realizou a primeira audiência de instrução do caso. Além do acusado, foram ouvidas também seis testemunhas de acusação e defesa.

Após a audiência, a Justiça informou que, por falta de conexão com o presídio de Cruzeiro do Sul, onde Gomes está preso, não foi possível realizar a oitiva do réu. Por isso, o interrogatório dele foi remarcado para o dia 15 de outubro de 2021 por videoconferência.

A juíza Luana Campos recebeu denúncia contra os dois em abril do ano passado e deu um prazo de 10 dias para que respondessem às acusações por meio de advogado. No mesmo documento, a magistrada converteu a prisão temporária de Gomes em preventiva e expediu mandado de prisão contra ele. Ele está preso.

O corpo de Rosiane foi achado no do dia 6 de setembro do ano passado dentro de uma cisterna da casa onde ela morava na Travessa JK, bairro Eldorado, em Rio Branco. A família relatou para a polícia que o último contato com a jovem tinha sido dois dias antes. A vítima tinha um fio enrolado no pescoço e teve o rosto coberto pela blusa que vestia.

Denúncia

Conforme a denúncia do MP, Rosiane era garota de programa e mantinha um relacionamento amoroso com Gomes, que dizia aceitar a profissão da jovem, mas, na verdade, tinha ciúmes dela. A dupla foi denunciada pelo MP-AC no dia 13 de abril e a juíza aceitou a denúncia no dia 15.

Na denúncia constava que o outro acusado teria mandado conversas de aplicativo para Gomes afirmando que seriam provas de uma traição por parte de Rosiane e instigando-o a tomar providências contra ela. Foi quando os dois foram até a casa da jovem para confrontá-la sobre a suposta traição e ela acabou morta por estrangulamento. Depois, eles a jogaram na cisterna.

Após matar a mulher, o acusado ainda teria feito uma mudança com as coisas dela. Rosiane revendia produtos de beleza, roupas, lençóis, perfumes e essas coisas foram achadas com o suspeito.

Suspeito de matar mulher e jogar em cisterna que foi solto após polícia se atrapalhar é recapturado no interior do AC  — Foto: Arquivo/PC-AC

Suspeito de matar mulher e jogar em cisterna que foi solto após polícia se atrapalhar é recapturado no interior do AC — Foto: Arquivo/PC-AC

Companheiro recapturado

Cinco meses após ser solto da Delegacia de Flagrantes de Rio Branco, após a polícia se atrapalhar com uma decisão judicial, Rodrigo Duarte Gomes, foi localizado e recapturado, no final de março do ano passado, em uma comunidade ribeirinha do município de Porto Walter, às margens do Rio Grajaú, interior do Acre.

Desde que foi solto por engano em Rio Branco ele era procurado, mas conseguiu fugir da capital para Cruzeiro do Sul e de lá foi para zona rural de Porto Walter. Ao tomar conhecimento do paradeiro de Gomes, a polícia montou cerco na área, que é de difícil acesso, e conseguiu localizar e prender o homem.

Além da suposta participação na morte da jovem, ele também tinha um mandado de prisão em aberto pelo crime de roubo.

Depois que foi preso pela morte da jovem em setembro de 2020, o homem já tinha conseguido fugir da delegacia de Divisão Especializada em Investigações Criminais (Deic), após fazer um buraco na cela. Ele também tinha fugido em maio de 2020 do Complexo Penitenciário de Rio Branco, quando oito presos deixaram a unidade após fazerem um buraco na cela.

Saiu pela porta da frente

O suspeito, que cumpria um mandado de prisão temporária pela morte da jovem, tinha sido levado para a Defla, em Rio Branco, depois de danificar, pela segunda vez, uma cela da delegacia da 1ª Regional. Ele chegou a passar por audiência de custódia pelo crime de dano ao patrimônio, onde o juiz decidiu pela liberdade provisória.

O MP também se manifestou pela liberdade provisória no caso do crime de dano. No entanto, a polícia soltou o homem sem considerar que ele estava preso temporariamente pelo crime de homicídio contra a jovem.

Na época, o delegado-geral de Polícia do Acre, Josemar Portes, informou que a Corregedoria iria apurar se houve algum tipo de erro por parte da polícia. Ao g1, o corregedor, delegado Fabrízzio Sobreira, falou que todos os envolvidos foram ouvidos, que o procedimento estava em fase de decisão final quanto à possível responsabilidade de servidores.

Ainda na época, o TJ afirmou que a decisão de liberdade provisória na audiência havia sido com relação ao crime de dano ao patrimônio e não da prisão temporária pelo crime de homicídio. Segundo a Justiça, a delegacia deveria ter consultado o sistema para checar se o suspeito cumpria alguma outra medida.

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