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Rebeca Andrade: Ginasta de ouro impulsiona uma nova geração de superatletas

Primeira brasileira a ganhar um ouro olímpico na ginástica e única atleta a levar duas medalhas nos mesmos jogos, Rebeca Andrade deu uma enorme alegria para o País neste ano e elevou o nível do esporte nacional

da Redação Ecos da Notícia
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Certamente, uma das maiores alegrias dos brasileiros neste ano foi ver a ginasta Rebeca Andrade, de 22 anos, dando seus saltos perfeitos na Olimpíada de Tóquio. O êxito da atleta sintetizou a totalidade das conquistas nos jogos em que o Brasil teve o melhor desempenho de sua história. Rebeca se tornou a primeira brasileira a ganhar um ouro olímpico na ginástica e a primeira atleta a levar duas medalhas no mesmo evento. A excelência esportiva, a precisão de seus movimentos e o impressionante equilíbrio psicológico dessa moradora de Guarulhos (SP), filha de uma família com sete irmãos, despertou os mais profundos sentimentos sobre o potencial dos brasileiros e sua capacidade de realizar tarefas de grande dificuldade. “Hoje poder inspirar outras pessoas é uma coisa incrível pra mim. Foi o que sempre quis e só continuei na ginástica porque tive inspirações”, disse Rebeca à ISTOÉ. “Vivi a minha vida no esporte porque sempre soube em quem me inspirar, na minha mãe, na Daiane (dos Santos), no meu treinador, é o que quero que as pessoas vejam. Tenho total consciência de tudo o que faço e o que representa isso hoje.”

Para Rebeca, a popularidade alcançada é um reconhecimento de um longo trabalho, que se iniciou quando ela tinha 4 anos e deu os primeiros passos no esporte. Posteriormente, aos 13, começou a cuidar também da mente e fazer terapia, o que lhe ajudou muito na transição da adolescência. Isso contribuiu para ela alcançasse uma incrível resistência mental, que impede hoje que ela sinta pressionada nas disputas ou com qualquer responsabilidade adicional por causa de suas conquistas. Seu raciocínio é claro: ela nunca carregou o peso de qualquer obrigação de voltar com uma medalha das Olimpíadas e nem de ser vitoriosa. Seu objetivo sempre foi fazer o seu melhor, como havia treinado. “Não sou obrigada a agradar ninguém, preciso ter a consciência de que devo treinar no meu melhor nível para fazer o meu melhor nas competições. O resultado é uma consequência”, afirma. “É o meu trabalho, o que decidi fazer na minha vida. Mas não pode ser uma obrigação, senão eu não me sentiria feliz.”

Quanto à situação do esporte brasileiro, Rebeca vê uma evolução, em particular na ginástica olímpica, que hoje garante uma boa estrutura de treinamento para suas jovens promessas. “Acho que ser atleta é difícil por si só. Fazemos várias escolhas, renúncias, mas tudo vale a pena. Não digo isso porque hoje eu sou uma campeã olímpica. Antes já era grata pelo esporte. E a gente já melhorou muito, muito mesmo”, afirma. Rebeca também enaltece o trabalho em equipe, que faz toda diferença na sua preparação, e está consciente que ninguém chega a lugar algum sozinho. “Falo com a Jade, com a Danielle e com a Daiane, e elas lembram como era antes, das dificuldades e de como as coisas foram evoluindo. Hoje temos um dos melhores ginásios do mundo, equipes dedicadas, profissionais capacitados. Sou muito grata por isso, por sentir que, a cada momento, a cada mês, a cada ano, as pessoas dão mais importância para o nosso esporte”, conclui.

Contra o racismo estrutural

Embora não tenha sofrido com o preconceito ao longo de sua trajetória, Rebeca Andrade é consciente dos desafios adicionais e discriminatórios que muitas mulheres negras enfrentam para alcançarem seus objetivos. Para ela, o racismo estrutural existe e impõe uma luta árdua para uma grande parte da sociedade, que sofre com a desigualdade e a falta de oportunidades. “(O racismo) é algo que existe há séculos, e que não se muda de um dia para o outro. Por isso, é necessário esse movimento contínuo, de consciência, educação, respeito e igualdade”, diz Rebeca, que vê uma divisão social em que alguns grupos são favorecidos em detrimento de outros. “Em nenhum momento o fato de eu ser uma mulher negra me atrapalhou. Nunca sofri com racismo, desprezo ou qualquer coisa que seja. Mas sinto que sou um caso à parte, as pessoas notaram que eu tinha algo de diferente e me apoiaram, me incentivaram e minha família sempre esteve ao meu lado em todos os momentos”, afirma.

Fonte: Isto É

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