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Advogada do AC que venceu concurso ‘Sou Gordinha Sim’ comemora: ‘Interesse é inclusão’

G1ACRE
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Concurso é feito por uma blogueira plus size em nível nacional. Andréia Nogueira foi coroada em dezembro do ano passado.

Andréia Regina Nogueira, de 32 anos, venceu o concurso nacional representando o Acre.

Mostrar o corpo real e orgulhar-se dele. Assim é o entendimento da advogada acreana Andréia Regina Nogueira, de 32 anos, representante do Acre que venceu o concurso “Sou Gordinha Sim”, que é feito pela modelo e influenciadora plus size Helena Custódio. A jurista destaca ainda que esse tipo de título e concurso ajudam a quebrar preconceitos e normalizar o corpo de mulheres reais.

A advogada foi convidada por um olheiro e participou de diversas etapas do concurso, que incluíram envio de fotos e responder perguntas de conhecimento geral. Tudo isso de forma on-line devido à pandemia.

Das três categorias: Curve, Miss e Master, Andréia concorreu ao miss e ganhou. Ela concorreu com 30 participantes e foi coroada em dezembro do ano passado e segue reinando até dezembro deste ano.

Ao g1, ela conta que o título é uma forma de levantar a discussão sobre a padronização dos corpos imposta pelas mídias sociais, que vendem um corpo sarado e magro como o ideal para as mulheres.

“Além de ser um título muito legal, muito expressivo, ele ajuda na quebra de paradigmas, que é quando a gente desconstrói um conceito e cria outro melhor no lugar. Por que a gente fala tanto em quebra de paradigma? Porque a nossa sociedade, desde os primórdios, desde a nossa colonização no Brasil, tem termos preconceituosos, machistas, sexistas, por vezes racistas, e também gordofóbicos. Por isso é muito bom mostrar que o diferente é normal, é comum, que o diferente também pode ser bonito”, destaca.


Advogada diz que esse tipo de concurso abre diálogo para as diversas formas de corpos — Foto: Bárbara Adline

‘Nosso interesse é de inclusão, aceitação social’

Ela destaca ainda que esse debate tem ganhado espaço e, por isso, esse tipo de concurso acaba reforçando essa narrativa. Ela relembra que há alguns anos não se falava tanto em corpo e moda plus size, por exemplo.

“Se a gente for olhar capas de revistas de cinco anos atrás você não via com facilidade corpos de pessoas gordas estampando quadros de beleza, moda. As roupas para as pessoas gordas eram roupas que faziam em uma modelagem magra, mas em uma numeração maior.”

A advogada destaca ainda que a intenção não é julgar corpos, mas sim fazer com que as pessoas gordas se sintam incluídas na sociedade, podendo ter acesso a coisas simples do dia.

“Não é nosso interesse fazer apologia à obesidade. Nós, pessoas gordas, que estamos em concurso de beleza não queremos que outras pessoas se tornem gordas ou que as pessoas que estão gordas e insatisfeitas permaneçam gordas, nosso interesse é de inclusão, aceitação social. Se formos olhar, catracas de ônibus são pequenas e estreitas; poltronas de aeronaves são estreitas e pequenas, feitas por uma sociedade preconceituosa que resolveu colocar na mídia um padrão de beleza com o corpo magro, esquálido. Não que seja errado ser magro, o que pregamos é que a pessoa aceite o seu corpo e que pode mudar. Do jeito que estou gorda hoje, posso estar magra depois e isso depende da minha vontade, do meu entendimento e saúde e não da opinião alheia”, pontua.
Ela ressalta ainda que muito se tem avançado nessa discussão, que a cada dia mais modelos e pessoas reais têm falado sobre isso e destaca como um grande avanço o fato de o conceito de “brincadeira” ofensiva ter se tornado crime.

“É importante destacar que é necessário uma educação social, porque fomos educados dessa maneira. Na minha época, o bullying era brincadeira de criança e nós fomos desconstruídos da normatização dessas brincadeira para entendermos que bullying e é errado. Não é porque o errado é feito por muitas pessoas que passa a ser correto. Assim como as pessoas com nanismo, os negros, portadores de deficiência, os gordos são objetos de chacota nacional e isso a gente muda através da inclusão social, da realização de concursos como esse que exaltam a beleza gorda. Nós pretendemos que tudo isso mude e tenhamos uma sociedade mais igualitária”, finaliza.


Acreana fica com coroa do concurso até o final deste ano — Foto: Bárbara Adline

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