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Entenda o que muda na cobrança do imposto estadual sobre combustíveis

com informações de Metroles.com

Caso a proposta seja aprovada, quando a economia se acomodar e o preço do petróleo cair, o ICMS poderá  ser um vilão muito pior

A Câmara dos Deputados aprovou, nesta semana, projeto que muda o cálculo da tributação dos combustíveis nas unidades da Federação para tentar baixar o preço cobrado ao consumidor final. O texto ainda precisar passar pelo Senado, mas já é visto por economistas como uma solução ineficaz.
Enquanto o governo federal avalia que a tributação do ICMS onera as pessoas com “alíquotas excessivas”, e culpa os governadores por isso, especialistas explicam que o principal problema da alta do preço dos combustíveis é o descontrole do câmbio. Pontuam também que “boas políticas” do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) poderiam ser mais convenientes, além do avanço da reforma tributária.
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Ainda na leitura deles, as mudanças até podem fazer recuar o preço da gasolina, do diesel e do etanol neste ano e no próximo, mas não a longo prazo. Isso porque o ICMS incide sobre o valor da base do combustível. Quando esse indicador está alto, o custo para os contribuintes também cresce.

Caso a proposta seja aprovada e o imposto passe a ser fixado sobre o litro de combustível, quando a economia se acomodar e o preço da base cair, o ICMS poderá estar muito mais alto do que nas condições anteriores.

“Momentaneamente, teremos um benefício artificial. Depois da pandemia da Covid-19, o preço do petróleo tende a se normalizar. Aí, então, o ICMS deve virar o vilão do preço do combustível, porque será cobrado em cima da base do petróleo, que será muito mais baixo do que o que vemos hoje”, afirmou Gabriel Quintanilha, professor da FGV Direito Rio.

“O jogo político está muito claro. A partir do momento que o governo culpa os estados, a União está jogando a opinião pública contra os governadores. A política econômica do ministro Paulo Guedes [Economia] falta com o liberalismo econômico tão prometido”, completou o docente.

Estados e municípios 

A aprovação da medida também pode resultar em prejuízo de R$ 24 bilhões aos estados e de R$ 6 bilhões aos municípios. Segundo a Federação Nacional do Fisco Estadual e Distrital (Fenafisco), o ICMS sobre combustíveis acumulou cerca de R$ 90 bilhões em 2019, representando cerca de 18% do total de R$ 509 bilhões de arrecadação do tributo naquele ano.

“É fato que os estados e municípios no Brasil estão quebrados, e provavelmente vão pressionar as comunidades para não mudar nada e facilitar sua própria gestão financeira”, opina o ex-secretário de Assuntos Econômicos do Ministério de Planejamento do governo de José Sarney Raul Velloso.

Isso não significa, contudo, que a alteração é de todo ruim. Em maio deste ano, durante uma audiência pública sobre a mudança no formato de cobrança do ICMS sobre combustíveis, na Comissão de Finanças e Tributação (CFT) da Câmara, especialistas disseram que a proposta poderia diminuir as ações na Justiça e simplificar a tributação, mas frisaram, mais uma vez, que os preços não cairiam.

“Muitas vezes, a gente trata os tributos e impostos como vilão da alta dos preços, mas não consegue olhar para a estrutura como um todo”, salientou Carla Borges Ferreira, pesquisadora do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), na audiência.

Carla Ferreira também sugeriu a criação de um “fundo de estabilização” para impedir que as variações internacionais do petróleo sejam totalmente repassadas aos preços.

Veja como era antes e o que deve mudar

Atualmente, o ICMS é cobrado em porcentagem sobre o preço final do produto, e as alíquotas dependem da legislação de cada estado. No caso da gasolina, por exemplo, a taxa aplicada sobre o preço final varia entre 25% e 34%, conforme a UF. Para o diesel, ela vai de 12% a 25%.

 

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