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Desencontro entre Ibaneis e Lula teve risco político calculado

Correio Braziliense
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O governador Ibaneis Rocha (MDB) acabou tomando a decisão política correta ao evitar o encontro com Lula na casa do ex-senador Eunício Oliveira (MDB-CE), no Lago Sul. Primeiro, porque em evento tão alardeado, como o da noite de quarta-feira, não se decide nada importante. Segundo, porque Ibaneis seguiu o presidente do MDB, Baleia Rossi (SP), que trabalha pela terceira via e é quem, hoje, domina o partido. Outro motivo: o governador do DF evitou desgastes com o presidente Jair Bolsonaro, de quem é aliado e de quem depende financeiramente nas questões do DF. Uma má-vontade bolsonarista em ano eleitoral seria um perigo para o GDF e para a reeleição de Ibaneis. Também há a questão do eleitor. Lula tem alta rejeição no DF. É querido por uma parcela da população — que não seria influenciada por um simples encontro — e odiado por outra, que realmente ficaria incomodada com a situação. Não significa que Ibaneis esteja fechado para o diálogo com Lula, mas algumas conversas rendem muito mais no bastidor.

Custo-benefício
Está claro que os candidatos terão de colocar na balança quanto vale subir no palanque de Lula ou de Bolsonaro. Rodrigo Rollemberg, por exemplo, recebeu muitas críticas e também incentivos por defender uma aliança do PSB com Lula para derrotar Bolsonaro. Na ponta do lápis, ainda não dá para chegar a um placar de vitória ou derrota política.

Eleitor
O secretário de Meio Ambiente do DF, Sarney Filho, foi o cicerone de Lula na visita ao Complexo de Reciclagem da Estrutural, ontem. Ele recebeu muitos elogios do petista e, no ouvido do ex-presidente, confidenciou: “Meu voto é seu”. Sarney Filho chamou Lula de defensor dos mais humildes e dos mais pobres. Foi tratado como o amigo do meio ambiente.

Apresentação
O deputado distrital Leandro Grass (Rede) se apresentou a Lula, na usina de reciclagem de resíduos, como pré-candidato ao Palácio do Buriti. Ficaram de conversar mais para a frente.

Salto
O ex-governador Rodrigo Rollemberg (PSB) adorou a visita de Lula ao centro de reciclagem na Estrutural, criado durante seu mandato. E se derreteu: “Acabar com o Lixão da Estrutural, o segundo maior do mundo, e dar dignidade aos catadores construindo centros de triagem foi um salto civilizatório”.

Rebatendo
A deputada Paula Belmonte (Cidadania-DF), inimiga de Ibaneis, divulgou um vídeo em que critica o governador por marcar um encontro com Lula, que ela identifica como o “maior corrupto da história brasileira”. A provocação foi respondida com outro vídeo, em que Paula foi chamada de mentirosa. Ibaneis não foi e ainda esteve em outro evento público do MDB, no Cruzeiro.

A frase
“Seja bem-vinda, Pepinha”, do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), tripudiando a deputada Joice Hasselmann pela polêmica entre tucanos após a filiação dela ao PSDB.

Cabo de guerra

Os ministros da Secretaria de Governo da Presidência da República, Flávia Arruda; da Cidadania, João Roma; e da Economia, Paulo Guedes, tiveram uma reunião ontem com o relator da MP do Auxílio Brasil, deputado Marcelo Aro (PP-MG). Foi um embate entre a ala política e a técnica. Bolsonaro precisa do benefício especialmente no Nordeste, onde Lula tem mais força eleitoral. E os ministros-candidatos precisam de um governo forte. Mas Guedes resiste, por ora, à pressão. Hoje, um pouco mais fragilizado pelo desgaste dos milhões de dólares depositados na offshore nas Ilhas Virgens Britânicas.

Família JK em campanha
O empresário Paulo Octávio já fala abertamente na provável candidatura ao Senado. O filho caçula, André Octávio Kubitschek, bisneto de JK, deve concorrer a um mandato de deputado distrital. Os dois estão filiados ao PSD. Também há possibilidade de PO integrar a chapa de Ibaneis como vice.

Disputa na oposição
O deputado distrital Fábio Felix (Psol) disse à coluna acreditar que Rafael Parente, pré-candidato do PSB ao governo, não representa uma alternativa à esquerda. “Nada contra, pessoalmente, o Rafael Parente, mas não o vejo como o candidato da esquerda no DF. Nós do Psol fizemos uma grande batalha contra ele à época da militarização das escolas. Ele também tem dito que teria apoio e recurso dos bancos. Isso circula, e não acho que esse seja o projeto de esquerda que devemos construir.”

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