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Capitais brasileiras querem carnaval sem uso de máscara em 2022

Prefeitura de São Paulo projeta folia com 15 milhões de pessoas e sem restrições; no Rio de Janeiro, a ideia é desobrigar o uso da proteção bem antes, a partir do dia 15 deste mês, em locais abertos e sem aglomeração. Especialistas pedem mais cuidado em espaços fechados

Correio Brasiliense
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Com o avanço da cobertura vacinal no Brasil, cidades com os maiores carnavais do país, como Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Recife já avaliam a realização do evento em 2022. Na capital paulista, a prefeitura do estado informou ontem que autorizou a São Paulo Turismo (SPTuris) a dar início às medidas administrativas e aos preparativos para a realização dos desfiles das escolas de samba e outros detalhes do carnaval de rua. No Rio, bem antes de liberar a folia, será desobrigado o uso da máscara de proteção. A ideia é que a medida passe a valer a partir do dia 15 deste mês, em locais abertos e sem aglomeração. Se confirmada, fará parte da segunda etapa do Plano de Flexibilização e terá como premissa que 65% da população carioca esteja com o esquema vacinal completo. Atualmente, a população total que já tomou a segunda dose ou dose única é de 56%. Para especialistas, é preciso cautela e que se aumente a fiscalização do uso da máscara em ambientes fechados.

Mesmo com a pandemia ainda em curso, a gestão Ricardo Nunes (MDB) projeta que os números da covid-19 estarão em baixa daqui a quatro meses em São Paulo, permitindo a repetição do público de 2020, de 15 milhões de pessoas. O secretário municipal da Saúde de SP, Edson Aparecido, destacou que a realização do evento dependerá da situação da pandemia no início de 2022. Na avaliação dele, o maior risco seria o surgimento preocupante de uma variante que pudesse gerar um “impacto sanitário grande”, como foi com o avanço da P.1, originalmente identificada em Manaus. “Neste momento, iniciamos o planejamento do evento (com a publicação de editais; uma comissão planeja o evento desde julho). A sua realização dependerá do quadro sanitário do ano que vem”, afirmou. De acordo com a pasta, 82% dos paulistanos já tomaram a segunda dose da vacina contra covid-19 ou a dose única.

Aparecido e outros secretários presentes na coletiva admitiram que é inviável ter um controle sanitário da covid-19 em um evento deste porte. Questionado sobre o assunto, o secretário destacou a redução nos números de óbitos e internações, além de estimar que 90% da população paulistana estará com o esquema vacinal completo (duas doses ou a vacina de dose única) até 15 de outubro, número que chegaria perto de 100% até o fim do mês. “A cidade está muito próxima do controle da pandemia.”

E admitiu que seria inviável haver um controle de vacinados entre o público. “Em um evento desta natureza, de grande participação popular, é evidente que fica muito difícil ter controle de apresentação de comprovação vacinal.”

No Rio, o comitê científico da Secretaria de Saúde se reuniu para avaliar a possibilidade de realização do carnaval. Segundo levantamento da Fundação Getulio Vargas, a festa gera 36 mil empregos diretos e indiretos apenas nos cinco dias que compõem a realização dos desfiles no Sambódromo. O estado tem promovido “eventos testes”, com a presença de até 5 mil pessoas sem máscaras, que ajudaram a entender os riscos.

“A Prefeitura do Rio trabalha para que tanto o Réveillon quanto o carnaval ocorram em sua plenitude sem a necessidade de qualquer medida restritiva. Mas somente será possível realizá-los desta maneira com a população vacinada e a pandemia controlada”, informou em nota.

No domingo, o prefeito Eduardo Paes (PSD) disse que a ciência vem permitindo a reabertura da cidade e que não há necessidade da população ser “viúva da pandemia”. “Quem vai ficar fazendo distanciamento no carnaval? Fica até ridículo, pedindo um metro de distância. Se tivesse, eu seria o primeiro a desrespeitar”, brincou o prefeito.

Fiscalização

O infectologista Julival Ribeiro lembrou, em entrevista ao Correio, que a máscara é uma das medidas preventivas mais efetivas na transmissão do coronavírus. “Se abolirem o uso de máscara em áreas públicas, bem ventiladas, eu espero que aumentem a fiscalização em ambientes fechados, sem ventilação e aglomerados”, destacou o especialista.“Para retirar a obrigação do uso, você tem que analisar alguns indicadores, por exemplo, quanto da população está completamente vacinada, como está o número de casos novos e o número de mortes”, condicionou o membro da Sociedade Brasileira de Infectologia.

Para o membro do Observatório da Covid-19 no Brasil, Vitor Mori, a liberação do uso de máscaras pode, sim, ocorrer em espaços abertos. “Não acho que seja uma medida absurda. As evidências sugerem que menos de 1% da transmissão acontece ao ar livre”, pontuou. Ele reforça, contudo, a preocupação de Julival. “Me preocupa muito mais a falta de controle e fiscalização em espaços fechados. É fundamental que, junto com essas flexibilizações, tenhamos mais fiscalização em espaços fechados”, escreveu nas redes sociais.

Mori defende, inclusive, a exigência de máscaras mais seguras, “eventualmente, até fornecendo e exigindo PFF2 nesses ambientes (fechados). Isso seria um incentivo para as pessoas ficarem ao ar livre, já que máscaras não seriam mais obrigatórias”. Segundo ele, “faz muito pouco sentido a pessoa estar usando uma mesma máscara, de baixa qualidade e toda folgada, em espaço aberto e fechado. Por isso, é imprescindível que, junto com as flexibilizações, também tenham campanhas de comunicação explicando os diferentes riscos em cada espaço”, argumentou o especialista.

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