Rio Branco,

“O Brasil está virando uma Venezuela”, diz Maia após Exército livrar Pazuello

Muitos dos que defendem a democracia liberal precisam olhar essa tentativa permanente do governo de impor uma agenda autoritária ao Legislativo e ao Judiciário, de intervenção permanente nas Forças Armadas

IG
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O ex-presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que o Brasil corre o risco de um autoritarismo semelhante ao da Venezuela nos anos de Hugo Chávez. Segundo o parlamentar, a subserviência do Exército ao presidente Jair Bolsonaro no episódio do Pazuello enfraquecerá ainda mais a democracia brasileira.

“Muitos dos que defendem a democracia liberal precisam olhar essa tentativa permanente do governo de impor uma agenda autoritária ao Legislativo e ao Judiciário, de intervenção permanente nas Forças Armadas, de apoio a atos antidemocráticos. Precisamos parar de acreditar que há composição com alguém que não quer composição com as instituições democráticas”, disse, em entrevista ao Estadão/Broadcast.

“O Brasil está virando uma Venezuela. O que vimos ontem foi uma grave interferência nas Forças Armadas . Chega uma hora em que podemos ter que pagar um preço que o Reino Unido não pagou, pois não recuou e não aceitou um acordo com o nazismo e o fascismo. Se Churchill tivesse sido conivente com o nazismo, certamente a história da democracia liberal na Europa, nas Américas, no Ocidente, teria sido outra.”
Maia falou sobre a necessidade de que o centro democrático trabalhe em candidaturas democráticas que tirem de Bolsonaro a chance de chegar ao segundo turno das eleições de 2022.

O deputado também falou sobre Lula — principal adversário de Bolsonaro e que lidera as pesquisas de intenção de voto para a presidência da República.

“O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem muitos defeitos, mas nunca avançou sobre a democracia. Se temos quatro ou cinco candidatos no centro, eles precisam se unir e criar uma agenda, um fato novo, reafirmar seus valores democráticos e a defesa de uma economia liberal, de redução das desigualdades. É preciso parar de olhar projetos individuais e focar em um projeto coletivo”, avalia.

“Temos hoje duas candidaturas, Bolsonaro e Lula, e o nosso campo não vai conseguir criar uma candidatura com chance de vitória se todos não se unirem num único campo, formado por políticos experientes e jovens, por um projeto de Brasil em que as pessoas voltem a ter esperança. De certa forma, a política tradicional é a causa da eleição de Bolsonaro em 2018, já que não conseguimos gerar esperança que milhões de brasileiros tiveram desde a redemocratização. Cabe a aqueles que defendem a democracia entenderem que o apoio ao governo em troca de emendas legítimas às suas bases apenas fortalece a agenda reacionária do governo em 2022.”

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