Rio Branco,

Médico que viralizou ao atender bebê dentro da água em cheia no AC pede afastamento após transferência sem ser consultado

G1 Acre
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O médico Rodrigo Damasceno que atua como ginecologista obstetra, na cidade de Tarauacá, no interior do Acre, usou as redes sociais, na última semana para anunciar que vai se afastar da funções por um tempo. A decisão, segundo ele, ocorre devido à transferência dele para outra cidade sem que fosse consultado antes e para fazer uma cirurgia.

Em fevereiro deste ano, Damasceno acabou viralizando nas redes sociais depois de ser fotografado atendendo um bebê de dois anos com água na cintura, durante a enchente do Rio Tarauacá, quando o município havia sido 90% atingido pelas água do manancial.

No dia em que a foto foi tirada, o médico tinha ido ao local de barco com uma equipe da clínica em que trabalha fazer atendimentos de saúde e havia acabado de atender uma senhora. Foi quando passou pela canoa e a mãe do bebê o chamou dizendo que o filho precisava de atendimento, pois estava com pneumonia.

Pouco mais de dois meses depois do episódio, o médico lamentou e disse que ficou sabendo da transferência por meio da imprensa, e só depois recebeu um documento da Secretaria Estadual de Saúde do Acre (Sesacre) informando sobre a mudança.

“Aconteceu agora de me transferirem para Feijó. Não sou contra em trabalhar lá, mas o problema foi a forma como fui transferido. Não questionei nem o deputado pela forma que fui transferido, mas não achei certo ele ser a primeira pessoa a ter acesso a isso, é minha vida funcional, divulgou isso na segunda e só fui notificado na quinta”, relatou.

Desabafo

O profissional escreveu um desabafo e disse estar cansado e por isso vai tirar um tempo para descansar e afirmou que o pedido de afastamento das funções seria sem ônus para o estado.

“Desde o começo do meu trabalho em Tarauacá, venho enfrentando algumas resistências e elas só têm me impulsionado a ir para cima e lutar contra essa politicagem que infelizmente ainda reina em nosso município”, desabafou.

Além de afirmar que não foi consultado sobre a transferência, o profissional foi chamado de ‘mercenário’ pelo deputado Sgt Cadmiel Bomfim (PSDB) durante a sessão dessa terça-feira (11).

O deputado disse que na declaração se referiu ao fato de que o médico fez o concurso para a cidade de Feijó, no interior, mas só atua na rede pública de Tarauacá. Já em Feijó, o profissional atenderia apenas no consultório particular.

“Falei sim, chamei ele de mercenário porque quando é para trabalhar no [setor] público não quer ir, arruma um monte de desculpas. Ele fez o concurso para Feijó, que é minha cidade, e nunca trabalhou lá, sempre arranjando desculpas e tem uma clínica na cidade, onde atende no particular. O Ministério Público tem até que ver isso porque se a pessoa faz um concurso público para uma cidade é porque há necessidade de médico lá. Nunca assumiu o contrato dele”, destacou.

Após o discurso do deputado, o Sindicato dos Médicos do Acre (Sindmed-AC) vai pedir que o conselho de ética da Assembleia Legislativa (Aleac) investigue a declaração do deputado.

Contratos

O médico Rodrigo Damasceno contou ao G1que soube da declaração do deputado pela internet. Ele afirmou que realmente tinha um contrato de trabalho em Feijó e outro em Tarauacá, mas atuava apenas no hospital de Tarauacá.

Segundo o médico, o contrato de Feijó foi transferido para a cidade de Tarauacá há seis anos. Há pouco mais de um ano, ele abriu um consultório particular em Feijó para atender a população.

“Trabalho no município de Tarauacá com os dois contratos. Sou o único especialista que tem na região, mas não consigo dar conta da demanda dos dois municípios porque precisa de mais profissionais atuando. Não concordo com a forma e nem de ele ter me chamado de mercenário como se eu tivesse fazendo partos no particular e não faço, só faço exames”, afirmou.

Damasceno explicou que foi informado na quinta (6) pela Sesacre de que vai ser transferido para atender no hospital de Feijó. Mas, segundo ele, o deputado Cadmiel fez uma postagem falando sobre essa transferência na segunda (3), antes de ele ser comunicado.

Na sexta (7), o médico entrou com um pedido de afastamento sem ônus para operar um dos ombros. Ele revelou que ainda não teve uma resposta da Sesacre, mas, no domingo (9), deslocou o ombro em casa e está de atestado.

“Protocolei o pedido de afastamento dos dois contratos, que é justamente para tratar do ombro e dar uma esfriada na cabeça pela forma como a Sesacre me tratou, mas, em nenhum momento questionei o fato de ajudar [a saúde de] Feijó. Mas, que fique claro, só eu indo para Feijó não resolve o problema, vou tirar apenas três plantões de 24 horas, se não for um anestesiologista não vai resolver porque vamos precisar”, concluiu.

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