Rio Branco,

Mâncio Lima dá início ao programa de mecanização agrícola

Por AC 24 Horas

É macaxeira ou é mandioca? “A espécie é Manihot esculenta Crantz para ambas, o que diferencia é o teor de cianeto presente na raiz. A Manihot esculenta Crantz é originária da Amazônia, planta já cultivada pelos índios antes mesmo da chegada dos portugueses ao Brasil.

“É uma alegria muito grande estarmos iniciando o programa de mecanização agrícola em uma comunidade tão significativa na história de nossa cidade. Já iniciamos em outras comunidades, embora aqui estamos dando o ponta pé inicial e, especialmente, com esse projeto inovador em parceria com o Governo do Estado e Prefeitura de Mâncio Lima serão atendidos gratuitamente 100 produtores rurais desta comunidade”, disse Ezio Pereira Junior, Secretário Municipal de Produção.

O lugar para o início da mecanização agrícola do Município de Mâncio Lima não poderia ser outro, a Terra Indígena Puyanawa, um lugar emblemático e histórico. Foi ali, às margens direitas do Rio Moa, que a então Vila Japiim iniciava, por meio do Coronel Mâncio Lima, o seu desenvolvimento na Fazenda Barão do Rio Branco. O projeto, em parceria com o Governo do Estado irá atender gratuitamente 100 trabalhadores rurais da aldeia.

“Esse projeto é inédito, desde que nossa terra foi regularizada nenhuma outra gestão em parceria com o Governo do Estado tinha tido esse olhar de atenção e carinho para a área agrícola e especialmente no que se refere a mecanização. Estamos recebendo combustível do Governo e os tratadores da prefeitura para mecanizar 200 horas de arado, já temos uma relação de 100 parentes com a área pronta para o trator entrar. Isso é fruto meu mandato como vereador e liderança indígena. É uma conquista muito grande para nós, uma ação que vai gerar renda e melhorias na vida do nosso povo”, disse Joel Puyanawa, Vereador e Cacique da Terra Indígena Puyanawa.

O Programa de mecanização agrícola desenvolvido na Terra Indígena Puyanawa é uma parceria do Governo do Estado com a Prefeitura de Mâncio Lima. O projeto é inédito e inovador, pois visa desenvolver a agricultura familiar sem o uso do fogo e evitando derrubara a floresta. A Prefeitura de Mâncio Lima irá ceder as máquinas e o Governo do Estado está doando 3.500 litros de combustível.  A perspectiva é que os Puyanawas possam ter uma produção excepcional de farinha em 2021.

Em Mâncio Lima, o cultivo da mandioca e a produção da farinha é um dos carros chefes da economia local. Somente no ano de 2020, os puyanwas produziram mais de 12 mil sacas de farinha. Os incentivos da prefeitura na mecanização e no apoio técnico tem sido essencial para garantir produção de qualidade e renda para centenas de famílias.

O Programa de Mecanização tem proporcionado o preparo e limpeza das áreas agricultáveis, o que facilita e amplia a área produtiva do município. Anualmente, o município mecanizou pouco mais de três mil hectares. Porém, em 2020 foi atingido recorde de terras aradadas, mais de seis mil horas de mecanização para o desenvolvimento das principais atividades agrícolas e pecuárias desenvolvidas no município. Somente para o cultivo da melancia, já foram contempladas este 78 famílias e pouco mais de 148 horas de trator.

“O que nós estamos fazendo hoje nesta comunidade é trazer dignidade e melhor qualidade de vida dos manciolimenses. Com esse projeto, vamos melhorar o solo, que precisa de correção para uma colheita melhor,  e incentivar novas aptidões agrícolas. A farinha de mandioca é importante, porém, é importante haver alternativas entre um plantio e outro. Além desta parceria com o Governo do Estado, já temos com a Embrapa, um Termo de Cooperação para estudo do nosso solo afim de identificar para qual tipo de cultura cada solo é ideal. O Governador Gladson, assim como eu, é um grande entusiasta da agricultura familiar, já nos garantiu uma patrulha mecanizada para recuperar ramais, construir açudes e apoiar os nossos produtores rurais”, finalizou Isaac Lima, Prefeito de Mâncio Lima.

A comunidade indígena Puyanawa, há dois anos, abriu o festival para o público em geral, e recebe visitantes de diversas partes do mundo, como Alemanha, Peru, Venezuela e Bolívia.

É inegável a otimização do tempo que a mecanização garante ao processo produtivo. Em todas as etapas, da preparação do solo à colheita, o uso de máquinas torna o trabalho mais ágil. Em produções de alta escala, as atividades seriam praticamente inviáveis sem o uso dessas tecnologias. Tendo em vista a crescente demanda por alimentos, somente a mecanização poderia dar conta da produção dentro da janela de plantio que as lavouras apresentam.

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