Rio Branco,

Cruzeiro do Sul oferece atendimento psicológico e social para pacientes pós Covid-19

AC 24 Horas
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Um dos efeitos colaterais gerados pela pandemia do Covid-19 são os danos psicológicos e sociais que resultam da doença. Internações, óbitos, isolamento, ansiedade e pânico, insegurança alimentar e econômica, são alguns dos problemas que surgem a partir da pandemia.

Foi prestando a atenção aos aspectos sociais e psicológicos da doença que a secretaria municipal de saúde de Cruzeiro do Sul instituiu desde fevereiro, na Ouvidoria da SEMSA (PAM), um setor específico para este tipo de atendimento.

O papel institucional da Ouvidoria é o recebimento de reclamações e sugestões, a ouvidoria passou a atender diariamente aos pacientes COVID e familiares.

A equipe conta com psicólogos e assistentes sociais. Diariamente a rede de assistência recebe a lista de pacientes da clínica médica, UTI e óbitos, através da qual a psicóloga faz o contato por telefone. As ações são coordenadas por um assistente social. “O papel da ouvidoria é ser um canal entre o cidadão e a gestão, no entanto devido à gravidade da pandemia, por determinação da administração, temos oferecido esses serviços a mais para os pacientes COVID e seus familiares”, explica o Caio Farias coordenador.

Um dos serviços prestados é o tele atendimento psicológico a familiares de pessoas em UTI e óbitos. O medo da doença gera situações quase tão graves quanto o contágio pelo vírus. “A pandemia gera situações de medo e pânico, e muitas vezes a pessoa não consegue sair de casa para pedir ajuda. Temos situação de ansiedade em que um processo nervoso ataca à respiração, de modo semelhante à doença”, explica a psicóloga Lusiane Casemiro.

Também não são poucos os casos em que a doença gera um abalo financeiro sobre toda família. Em um dos casos citados por Lusiane, uma paciente que acabou de ganhar bebê, teve a doença e precisou ser internada. O bebê recém-nascido teve que ficar com o pai, que não pôde mais ir trabalhar. Nesse caso, a ouvidoria aciona a rede de assistência social da prefeitura para que a família seja assistida com auxilio através de cestas básicas, por exemplo.

Os casos mais difíceis de lidar são os óbitos. A prefeitura tem um serviço de auxilio funeral.. Além disso é realizado também um acompanhamento psicológico do luto dos familiares.

Muitas vezes as pessoas têm de lidar com a própria doença, com óbitos na família e os impactos econômicos e sociais da pandemia.
Este foi o caso da agente comunitária de saúde, EIizabeth dos Santos. Todos seus familiares residentes na mesma casa tiveram a COVID, e seu filho André Luís, 36, infelizmente veio a óbito. “Entrava em pânico todas as manhãs. Agonia e mal estar. Não conseguia me controlar. Durante as crises, a psicóloga Dra. Lusiane conversava comigo por telefone, por meia hora ou mais, e me ajudou na fase aguda”, conta.

As pessoas têm buscado o consolo na fé religiosa, um aspecto que é levado em consideração pela psicóloga Lusiane como um importante auxílio para as pessoas em circunstâncias de agravamento da doença e óbito.  “Procuro reforçar e incentivar o lado espiritual das pessoas. Isso dá força para enfrentar essas situações graves”, explicou.

O contato com a Ouvidoria da SEMSA pode ser feito através dos números 3322-5000 e 3322-5753.

Redução de casos e Posto Mão Amiga

Segundo o secretário municipal de saúde, Dr. Agnaldo Lima, graças aos esforços tanto dos servidores em saúde, quanto da população que tem buscado atender aos apelos de adesão às medidas de isolamento, a pandemia tem dado sinais de recuo em Cruzeiro do Sul.

Na comparação entre os meses de março e abril, houve queda significativa. Após o pico de 48 casos no dia 23 de março, no dia 21 de abril, houve apenas 8 novos casos registrados da doença. Neste mesmo dia, a UTI COVID teve apenas três pacientes de Cruzeiro do Sul de um total de 17 internados.

A vacinação também já começa a surtir efeito. Nos últimos dias houve uma diminuição de entrada de pacientes em estado grave na faixa etária acima de 60 anos.

Outro ponto crucial para reduzir o número de internações foi o atendimento inicial, no Posto Mão Amiga, onde os pacientes recebem todos os atendimentos necessários ao sentir os primeiros sintomas, reduzindo assim o fluxo da unidade hospitalar.

O prefeito Zequinha Lima salientou o empenho da prefeitura frente as ações de prevenção e combate à pandemia que refletiram na redução do casos. “Não medimos esforços no combate, diante dessa situação tão difícil que o mundo inteiro vive. Iniciamos nossa gestão diante de uma segunda onda do COVID-19, que veio de forma mais agressiva e vitimando mais pessoas. Diante dessa situação não podíamos ficar de braços cruzados , agimos, e não foi de qualquer maneira, traçamos planos junto com os demais parceiros da saúde, realizamos campanhas de conscientização feitas pela assessoria de comunicação nas redes sociais e nos meios de comunicação, campanhas educativas da secretaria de saúde, orientação, não deixamos faltar testes, proporcionamos atendimento de domingo a domingo no posto mão amiga, dentre outras ações que foram fundamentais para chegarmos a esses resultados”, relatou.

Apesar dos dados animadores, a pandemia ainda inspira cuidados de todos, para evitar um novo aumento de casos positivos da doença.

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