Rio Branco,

Atendimentos de casos suspeitos de Covid caem 70% no Into e testagens reduzem em laboratório do AC

G1 Acre
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Há cerca de uma semana, a procura por atendimento de pessoas com sintomas da Covid-19 no hospital de campanha de Rio Branco, Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia do Acre (Into), reduziu cerca de 70%.

Conforme dados da direção da unidade repassados a pedido do G1, a média de atendimentos que estava entre 250 a 300 caiu para 80 a 90 nos últimos dias.

Nesta quinta-feira (6), segundo o diretor da unidade, o médico Osvaldo Leal, dos 140 leitos clínicos disponíveis na unidade, 42 estão ocupados e dos 50 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), 38 estão com pacientes internados.

Entre os meses fevereiro e março, a saúde do Acre entrou em colapso quando tanto os leitos clínicos como de UTI das unidades de saúde ficaram com 100% de lotação e pacientes ficaram em filas à espera por vaga. Houve ainda transferência de pacientes da capital para Cruzeiro do Sul e para Manaus.

“Já chegamos em 300 atendimentos por dia e estamos agora com menos de 100. Há uns 10 dias, a gente já não tinha mais fila de espera, paciente até entrava em fila, mas em seguida já tinha vaga. E com leito disponível mesmo, seguramente estamos já há uma semana”, disse Leal.

Perfil dos pacientes

Com relação ao perfil dos pacientes internado em UTI, o diretor informou que houve uma mudança. No início da pandemia, a média era de cerca de 80% a 90% de pacientes com idade acima de 60 anos, mas desde março deste ano, esse cenário mudou. Agora, cerca de 50% dos pacientes internados em UTI têm entre 40 e 50 anos.

“Temos dois perfis, esse de pacientes mais jovens, na faixa de 40 a 50 anos já ocupando um número maior de leitos de UTI e, agora, como temos leitos disponíveis, vem também um perfil de pacientes com menor gravidade no quadro. Isso porque, a gente consegue internar rapidamente esses pacientes”, explicou o diretor.

Queda de exames

Outro dado que mostra esse cenário de queda nos casos de Covid-19 no estado é com relação aos exames realizados pelo Laboratório Charles Mérieux, referência nos testes da doença no Acre. Segundo o gerente-técnico do laboratório, Andrea Stocker, o número de testagens baixou 77% nos últimos dias.

Segundo os dados o laboratório chegou a fazer 350 análises por dia de casos suspeitos de Covid-19. No entanto, esse número caiu para 60 a 80 por dia. Ainda segundo o gerente, outro fator é com relação à taxa de positividade nos exames.

Além da baixa nas análises, do total de exames feitos em média 30% têm dado positivo para Covid-19. O pico de positividade nessa segunda onda da pandemia ocorreu no último dia 17 de março, quando 64% dos exames testaram positivo para a contaminação pelo novo coronavírus. Desde então, a taxa tem reduzido.

“Temos dois parâmetros que podemos usar para saber mais ou menos onde estamos nessa segunda onda da pandemia. Um é a relação entre as análises positivas e análises negativas, porque quando a pandemia está baixando, em todas as análises baixa também a percentagem dos positivos. O segundo parâmetro é a média móvel dos óbitos em sete dias”, informou Stocker.

O gerente disse ainda que a taxa de casos positivos mais baixa desde o início da pandemia foi de 14% no dia 24 de setembro. Com relação à média móvel dos óbitos, o mínimo entre a primeira e segunda onda, foi no dia 1º de novembro do ano passado, com um valor de 0,6 óbitos por dia. Já o máximo da segunda onda foi no dia 23 de março, com 12,4 óbitos por dia na média móvel. Atualmente, segundo ele, o estado está com média de 3,6.

“Nós ainda não estamos no fim da segunda onda, mas estamos bem abaixo. No entanto, a terceira onda vai chegar, é garantida, porque todo o mundo teve. Não temos como precisar se vai demorar duas semanas ou cinco semanas, mas nessa faixa mais ou menos deve começar a terceira onda, e vai ser a onda causada pelos mutantes”, alerta.

Casos de Covid-19

Segundo boletim divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde (Sesacre) divulgado nessa quarta-feira (5), o Acre registra um total de 1.563 mortes por Covid-19 desde o início da pandemia, em março do ano passado. Ao todo, 78.610 casos foram confirmados da doença.

O estado está em contaminação comunitária desde o dia 9 de abril, com uma taxa de incidência de 8.788,4 casos para cada 100 mil habitantes. A taxa de mortalidade em cada 100 mil habitantes é de 175, já a de letalidade – quantidade de mortos dentro dos números confirmados da doença – é de 2%.

Agora, os números relacionados aos leitos estão sendo divulgados em uma página que é atualizada pelas próprias unidades de saúde. No total, são 204 pacientes internados, dos quais 188 possuem teste positivo para a Covid-19.

O que chama atenção é que mesmo com a informação de que há leitos vagos nas unidades de saúde do estado, duas pessoas estão na fila de espera por um leito de UTI. O G1 não conseguiu contato com o secretário de Saúde Alysson Bestene para comentar a divergência nas informações.

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