Jacarés amontoados no Pantanal correm o risco de morrer desidratados no calor de 50º
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Rio Branco,

Jacarés amontoados no Pantanal correm o risco de morrer desidratados no calor de 50º

CORREIO BRAZILIENSE

Ao visitar uma área do Pantanal de Nhecolândia, distrito de Corumbá (MS), próximo da fronteira com a Bolívia, a pesquisadora Zilca Maria Campos relatou ver jacarés amontoados em um lamaçal, na área de um açude que secou, a 50º C de temperatura. Os répteis correm o risco de morrer caso não chova na região, diz a especialista.

Uma série de queimadas assolou o bioma neste ano, além da região ter vivido a pior seca em 47 anos. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indicam que o mês de outubro foi o pior da história em focos de incêndio no Pantanal. Em 28 dias, 2.825 pontos de fogo foram registrados. Por causa disso, muitos animais morreram, ficaram feridos ou precisaram fugir de seu habitat natural

A pesquisadora Zilca Maria Campos, que há 31 anos atua na Embrapa Pantanal na área de pesquisa e desenvolvimento, contou ao portal G1 que viu entre 4 mil e 5 mil jacarés concentrados no mesmo lugar, chegando a ficar um em cima do outro (veja na imagem acima). Para evitar a morte desses animais, uma solução a curto prazo seria encher o açude com água, artificialmente, ou tampa-los do sol devido às altas temperaturas.

“Se a chuva não chegar, provavelmente muitos vão morrer. Aliás, muitos já morreram”, afirmou a pesquisadora. “Eles morrem por desidratação. Os que podem sobreviver são aqueles que se enterram na folhagem, e lá as temperaturas estão mais amenas. Então, os que buscam refúgio no interior da mata têm maiores chances de sobrevivência”, completou ao portal.

Milhares de açudes na região

A pesquisadora contou que visitou apenas um dos milhares de açudes que existem no Pantanal. “É uma área muito grande. A Embrapa Pantanal estimou, na década de 90, três milhões de jacarés adultos. Como a gente vai salvar todos eles? É impossível” afirmou ao G1.

Para minimizar o prejuízo ambiental, Zilca explica que o órgão conta com o apoio da população local para a criação de novos reservatórios de água.

“Eles estão perfurando os poços, que vão ajudar tanto os animais domésticos, bovinos, equinos, e também a fauna silvestre nesse período de escassez hídrica na planície pantaneira”, finalizou ao G1.

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