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Enfermeira contaminada com Coronavírus, diz em nota de repúdio que é um “soldado” abandonada em plena guerra

Da Redação Ecos da Notícia. Foto Arquivo pessoal
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NOTA DE REPÚDIO

Sou a enfermeira Cláudia Mara. Trabalho no serviço público de Saúde há longos 26 anos, estando atualmente lotada no Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco – HUERB.

Assim como milhares de colegas da enfermagem, faço muitos plantões extras para conseguir melhorar um pouco o meu orçamento, chegando a passar mais tempo nos hospitais do que com minha família.

Toda essa sobrecarga de trabalho cobra um preço na vida dos profissionais de saúde: ausência na vida dos filhos; desgaste da saúde física e mental; além de outros.

Porém, de repente, o preço tem se tornado alto demais.

Fui diagnosticada com o Coronavírus e, neste momento, me encontro internada no mesmo Hospital aonde dediquei minha vida para salvar a de outros.

Mas, se já não bastasse tudo que pode advir desta doença que tem matado milhares de pessoas no Brasil, em menos de 2 meses, fui surpreendida com um ataque covarde daqueles que deveriam me valorizar: os meus chefes.

Ontém, recebi uma mensagem, via Whatsapp, do Supervisor de Enfermagem do *Hospital de Saúde Mental*, o enfermeiro João Marcos Laurentino Maia, informando que o Gerente de Enfermagem, o senhor José Maria Mendes de Araujo e o Diretor Geral, o senhor Halisson Oliveira, determinaram que eu não poderia mais realizar plantões extras naquela unidade de saúde, *mesmo depois de ficar curada do COVID-19*, porquanto isso poderia gerar um clima de medo entre os colegas.

Ao tomar conhecimento deste absurdo, fui tomada por indescritível sentimento de indignação e revolta, pois, ao invés de ser reconhecida como um soldado que retorna da guerra, pronta para se reapresentar ao serviço, fui hostilizada e lançada a desonra pública, numa condição de quem não é digna de retomar as suas funções, como era antes de ser contaminada por um vírus que o Governo Gladson Cameli me obrigou a combater.

Agora, o que me resta é se concentrar na minha cura, para, em seguida, reajuntar os pedaços da minha dignidade que foi quebrada pelos gestores nomeados pelo Secretário de Saúde Alisson Bestene, esperando, contudo, que algum dia a classe da saúde seja reconhecida pelo que tem feito pelo mundo, pois, enquanto todos estão se isolando em suas casas, nós estamos saindo de encontro ao olho do furacão.

Att.,

Cláudia Mara
Enfermeira

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