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Estátua mais alta do mundo revolta agricultores na Índia

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A Índia inaugurou nesta quarta-feira (31) a estátua mais alta do mundo, com 182 metros de altura e custo de mais de R$ 1,5 bilhão.

A obra tem sido motivo de atrito entre o governo e agricultores locais, que se queixam do fato de o Estado ter gasto tanto dinheiro enquanto muitos têm enfrentado dificuldades.

Vijendra Tadvi, um dos moradores do Estado de Gujarat – onde o monumento foi erguido, no oeste do país -, lutou por anos para ter acesso a água para irrigar sua fazenda de 1,2 hectares. Hoje com 39 anos, ele planta pimenta, milho e amendoim.

Estátua mais alta do mundo é inaugurada, na Índia

Estátua mais alta do mundo é inaugurada, na Índia

Como milhões de agricultores na Índia, depende das chuvas das monções para irrigar sua colheita – no resto do tempo, ele retira água do lençol freático, que corresponde a 80% da oferta de água para irrigação.

Longos verões secos seguidos e chuvas erráticas levaram a frequentes secas no país e diminuíram a renda de fazendeiros como Tadvi.

Em 2015, ele conseguiu um trabalho extra para complementar sua renda – como motorista no canteiro de obras de construção da estátua, que estava sendo construída pelo governo do Estado do Gujarat.

O tributo ao líder da independência indiana Sardar Vallabhbhai Patel custou 29,9 bilhões de rúpias, ou R$ 1,5 bilhão. E o governo do Estado teve que custear mais da metade desse valor – o resto veio do governo federal ou de doações.

Vijendra Tadvi diz que o governo deveria investir em infraestrutura para a agricultura, não em estátuas — Foto: BBC

Vijendra Tadvi diz que o governo deveria investir em infraestrutura para a agricultura, não em estátuas — Foto: BBC

“Em vez de gastar dinheiro em uma estátua gigante, o governo deveria usá-lo para melhorar as condições dos agricultores e do distrito”, diz Tadvi, que afirma que os agricultores da área não têm nem a infraestrutura mais básica de irrigação.

Quando a estátua ficou pronta, Tadvi conseguiu se recolocar e continuou trabalhando em outros canteiros de obras na região. Mas continua insatisfeito com o gasto público com a obra faraônica.

O monumento foi apelidado de “estátua da unidade” e é a peça principal de uma série de homenagens a Patel. O líder nacionalista nasceu em Gujarat e se tornou o primeiro ministro do interior da Índia independente, e também o primeiro ministro interino sob Jawaharlal Nehru.

A atual primeiro ministro indiano, Narenda Modi, que também é de Gujarat, encomendou a estátua quando foi ministro chefe do Estado, em 2010.

Nos últimos anos, o partido de Modi, o partido hindu nacionalista BJP (Partido Bharatiya Janata) tem evocado a figura de Patel em uma tentativa de se colocar como representante de seu legado.

Eles acusam a oposição, o Partido do Congresso, de deixar a imagem Patel de lado para beneficiar os descendentes de Nehru, três dos quais serviram como primeiro-ministro.

Agricultores sofrem com frequentes perdas causadas pela seca — Foto: BBC

Agricultores sofrem com frequentes perdas causadas pela seca — Foto: BBC

 

Os planos para o memorial a Patel incluem um hotel três estrelas, um museu e um centro de pesquisa de assuntos sobre os quais ele se interessava – como “boa governança” e “desenvolvimento agrário”.

Tudo isso será a cerca de 10 km da vila de Tadvi, Nana Pipaliya, no distrito de Narmada – uma região predominantemente pobre e rural.

Muitas das famílias na região continuam a sofrer com fome e malnutrição, e o índice de crianças matriculadas em escolas primárias tem caído, de acordo com um relatório de 2016 publicado pelo próprio governo do Estado.

Estátua de Sardar Vallabhbhai Patel é a mais alta do mundo e custou R$ 1,5 bilhão à Índia — Foto: Reprodução/BBC

Estátua de Sardar Vallabhbhai Patel é a mais alta do mundo e custou R$ 1,5 bilhão à Índia — Foto: Reprodução/BBC

O governo diz que o memorial vai melhorar a economia do distrito, já que eles esperam cerca de 2,5 milhões de visitantes por ano. “Vai gerar oportunidades de emprego para os locais e aumentar o turismo na área”, diz Sandeep Kumar, um dos membros do governo envolvidos no projeto.

Moradores da região estão céticos.

“Porque eles não podem investir em um projeto para ajudar os agricultores e melhorar suas condições de vida?”, diz Lakhan, um ativista local que atende apenas pelo primeiro nome.

“Nos prometeram água para a irrigação, mas a situação continua a mesma.”

O vilarejo de Nana Pipaliya deveria receber água de uma represa próxima como parte de um projeto de irrigação. Mas os agricultores ainda estão sem água, diz Tadvi.

“Eu consigo fazer apenas uma colheita por ano, enquanto pessoas com estrutura de irrigação conseguem fazer até três”, diz Bhola Tadvi, um agricultor que conta somente de água da chuva para irrigar sua plantação.

De acordo com um censo de 2011, cerca de 85% da população economicamente ativa do distrito trabalha com agricultura – um setor dominado por pequenos agricultores que têm entre 0,8 e 1,6 hectares de terra.

Membros do governo do distrito disseram à BBC que o governo está comprometido com a disponibilização de água. Lakhan diz que milhares de agricultores continuam tendo dificuldade para ter acesso a água para irrigação.

Metade da população da Índia é de trabalhadores rurais, mas a agricultura é responsável por apenas 15% do PIB (Produto Interno Bruto) do país.

Na verdade, o setor encolheu 1,2% neste ano. As fazendas empregam muitas pessoas, mas produzem muito pouco, e milhares de agricultores batalham para pagar empréstimos.

No início do ano, agricultures do Estado de Maharashtra fizeram um enorme protesto pedindo por uma moratória dos empréstimos e por melhores preços para as colheitas.

Em 2017, fazendeiros do distrito de Tamil Nadu, que foi muito afetado pela seca, protestaram usando caveiras humanas com ratos vivos presos entre os dentes para chamar atenção para sua situação.

Em Gujarat, na sombra da estátua de Patel, muitos agricultores chegam a furtar água. Eles desviam ilegalmente a água que passa por muitas das terras da região pelo canal que vem da represa.

Um dos agricultores afirma ter instalado um cano subterrâneo do canal para sua fazenda, dizendo que quase todos os agricultores na área fizeram isso para sobreviver.

“Não temos opção a não ser pegar a água ilegamente, já que não outras fontes de água para nós.”

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Patrick Nogueira, assassino confesso de família na Espanha, é considerado culpado em júri popular

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François Patrick Nogueira participou de todos os dias do julgamento na Espanha — Foto: Reprodução/TV Cabo Branco

Por G1 PB –

François Patrick Nogueira Gouveia, assassino confesso dos tios e dois primos pequenos na cidade de Pioz na Espanha, foi considerado culpado em júri popular neste sábado (3), após seis dias de julgamento na Espanha, mas a juíza Maria Elena Mayor Rodrigo só vai estipular a pena do réu nos próximos dias, segundo a emissora de televisão Antena 3. De acordo com Walfran Campos, tio do assassino e irmão do homem morto, a decisão do júri é compatível com o pedido da Promotoria, que pediu prisão perpétua revisável.

Ainda segundo a Antena 3, o júri declarou que Patrick Nogueira matou os tios e primos com intencionalidade, sem considerar qualquer defesa. Após cerca de oito horas de deliberação, o tribunal do júri, composto por sete homens e duas mulheres, entregou o veredicto à juíza Elena Mayor.

“Ele pegou a pena máxima em todos os aspectos, foi 9 a 0, foi 20 anos por cada assassinato, ou seja, ele pegou 80 anos, sendo que o limite de prisão máxima na Espanha são 40 anos. A prisão perpétua revisável é que a cada 20 ou 30 anos vão revisar se ele tem condições de estar na rua, sair da prisão. Mas, de acordo com os médicos forenses e com todo o histórico, provavelmente ele não saia, sendo de 30 a 40 anos o mínimo pra ele ficar na prisão, então ele não vai sair antes disso”, explicou Walfran Campos, tio do assassino.

A deliberação dos jurados começou nesta sexta-feira (2), quando a juíza devolveu o veredicto ao júri por falta de motivação, e terminou neste sábado (3). O julgamento de Patrick Nogueira durou entre os dias 24 e 31 de outubro. Mais de 65 pessoas prestaram depoimento no júri, entre eles familiares do assassino e das vítimas, policiais que trabalharam na investigação do crime e médicos e psicólogos forenses.

Tanto o Ministério Público espanhol como a acusação particular tinham pedido a pena de prisão permanente revisável, que funciona como uma prisão perpétua na Espanha. A defesa de Patrick Nogueira, por sua vez, pediu a reclusão do réu por 25 anos alegando danos cerebrais que o colocava em condição de doente, fato que faria com que ele não respondesse por seus atos.

Patrick Nogueira está preso na Espanha desde outubro de 2016, quando se entregou às autoridades espanholas e confessou ter matado os tios e dois primos, de 1 e 4 anos de idade, em um chalé na pequena cidade de Pioz em agosto de 2016. Desde então, o acusado e réu confesso seguia aguardando julgamento.

No último dia de julgamento, Patrick Nogueira pediu perdão mais uma vez aos familiares e falou que sofre como eles. Patrick explicou, em seu depoimento, que sofre porque “cavou” seu túmulo quando criança. Ele afirmou que gostaria de receber tratamento porque não gosta de ser assim e que acredita que as coisas agora vão piorar.

“Agora não posso consertar o que passou”, disse Patrick Nogueira.

Defesa indicava dano cerebral

Laudo feito por médicos contratados pela defesa de Patrick Nogueira indicava que ele tem deformações no cérebro que afetam a tomada de decisões e contribuem para acessos de ira. De acordo com o laudo, após exames de tomografia e radiografia no cérebro de Patrick Gouveia, foram detectados distúrbios e anomalias no lado direito do lóbulo temporal anterior.

O dano neurológico encontrado em Patrick Gouveia, detectado por exames de imagem, indicam que ele teria uma alteração na avaliação correta das situações, de forma a emitir respostas desproporcionais aos fatos. A tese foi negada pelo júri.

Ministério público pediu que júri não temesse

A promotora-chefe Rocio Rojo, pediu que o júri não tivesse medo de impor a pena máxima ao réu confesso. “Patrick é uma pessoa com um tremendo mal e deve ser punido com prisão permanente. Não tenham medo, pois a prisão permanente é revisável”, argumentou. As informações são da emissora de televisão Antena 3.

Para a promotora Rocío Rojo, não havia dúvida que foi Patrick o autor da chacina, fato que está claro desde o início. Para ela, independente dos motivos dentro da cabeça do assassino confesso que levaram a cometer a chacina, ficou comprovado que não foi um crime cometido impulsivamente.

Chacina de Pioz, na Espanha

Janaína Américo, Marcos Campos Nogueira e os filhos do casal, de 1 e 4 anos, foram encontrados mortos e esquartejados em um chalé na cidade espanhola de Pioz em 18 de setembro de 2016, cerca de um mês após o crime.

Patrick Gouveia, sobrinho de Marcos, se entregou à polícia da Espanha e confessou o crime em 19 de outubro. Ele segue preso até esta quarta-feira no complexo penitenciário de Estremera, na Espanha. As urnas com as cinzas da família chegaram em João Pessoa em 10 de janeiro, quatro meses depois, quando as vítimas foram enterradas. Mais de um ano depois do crime, a família das vítimas e do assassino confesso ainda sofre com o episódio.

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