Rio Branco,

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Igrejas da Doutrina do Daime constroem fogueiras gigantes para cultuar São João Batista

Da Redação Ecos da Notícia
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Comunidades situadas no Alto Santo, em Rio Branco (AC) festejaram durante toda noite de sábado (23) para domingo (24), o dia de São João Batista. Fogueiras gigantes com mais de 50m³ de madeira ainda queimam nos templos preparados para o culto. O ritual lembra a tradição cristã da vinda do Cristo, filho de Deus salvador da humanidade, que renovaria todas as coisas.

A festa espiritual costuma atrair turistas de vários estados do Brasil e até de países do exterior que tem costume com o uso da ayahuasca. Políticos com mandato costumam visitar as igrejas. No Alto Santo, região onde Mestre Irineu morou, quatro centros preservam a tradição.

A tradicional fogueira foi acesa as 18 horas da véspera do dia santo. Uma salva de fogos anunciou o início do rito. Os trabalhos foram abertos com a reza de um terço dentro do templo sede. Após servir o Daime (bebida sagrada) para homens e mulheres, os fardados entraram em forma para o louvor.

Vivas marcaram a execução dos hinários Sois Baliza de Germano Guilherme, o Cruzeiro do Mestre Irineu e a Bandeira de Peregrina Gomes Serra, um total de 196 hinos cantados e bailados durante toda a noite. Um dos pontos alto do ritual em todas as Igrejas é o cântico do hino 66 do hinário o Cruzeiro do Mestre Irineu. Em verso, o líder conta a história de São João Batista e o batismo de Jesus Cristo nas águas do rio Jordão.

Assim como relata os ensinamentos cristãos, a doutrina do Daime reafirma que foi João Batista quem batizou Cristo no Rio Jordão. “No rio de Jordão ambos (es)tiveram em pé, um filho de Maria e outro é filho de Izabel. Jesus estava vestido com sua roupa cor de cana, dando viva ao pai eterno e viva senhora Santana” diz o trecho do hino recebido por Irineu Serra.


Tradição dura mais de oito décadas e tem ligação cristã

A tradição mantida pelas Igrejas que preservam os ensinamentos do Mestre Irineu já dura mais de oito décadas. Há exatamente 83 anos, no dia 23 de junho de 1935, no terraço da casa de Damião Marques, esposo de Maria Damião, era acesa a chama de São João Batista na Doutrina do Daime. Um grupo pequeno de seguidores liderados pelo Mestre Irineu, realizava o primeiro hinário no ritual ensinado pela Rainha da Floresta.

Desde então, comunidades seguem essa tradição. Nas semanas que antecedem o dia de São João Batista, em regime de mutirão, homens constroem uma grande fogueira. Às mulheres firmadas na Doutrina é dada a tarefa de enfeitar os templos sedes e seus arredores com bandeirinhas e outros adereços ligados as festas juninas.

A fogueira de São João Batista

Todas as Igrejas do entorno do Alto Santo constroem fogueiras nesta data. A maior de todas é erguida na sede matriz com mais de 50m³ de madeira retirada de uma área florestal. Formada em sua maioria por madeira de faveiro e bordão de velho e ainda, paus de mulungu para sustentação, a comunidade tem amparo ambiental para construção das fogueiras.

As Igrejas estão situadas na Área de Proteção Ambiental (APA) Irineu Serra, criada pelo ex-prefeito Raimundo Angelim em 2005. Um projeto de manejo garante a produção de novas espécies e a manutenção da tradição que já dura mais de oito décadas.

Para os fieis que participam da construção da fogueira e dos serviços de preparação da festa, o trabalho comunitário é uma preparação espiritual. O Festejo de São João Batista revela em seu conjunto de cerimônias homens e mulheres conectados com a divindade e trabalhando pela humanidade.

Desde 2006 que o centro matriz conhecido como Alto Santo foi tombado como patrimônio histórico e cultural de Rio Branco e do Estado do Acre.

Ac24horas

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