Rio Branco,

Justiça dá guarda provisória de jovem que sumiu de casa a família de colega de escola; mãe diz que não foi notificada

Por G1

Decisão foi tomada em audiência no Juizado da 2ª Vara da Infância e Juventude de Rio Branco, nesta terça-feira (12). Guarda é válida até que a adolescente complete 18 anos.

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A guarda provisória da adolescente de 13 anos que desapareceu e acusou o namorado da mãe de abuso foi concedida à família de uma colega de escola da menina. A decisão foi tomada nesta terça-feira (12) durante audiência no Juizado da 2ª Vara da Infância e Juventude de Rio Branco. A guarda é válida até que a menor complete 18 anos.

A mãe biológica da menina disse que ficou sabendo da decisão da Justiça pelos vizinhos e pelo Facebook. “Não fui informada pela Justiça, ninguém entrou em contato comigo, nem a advogada, nem a Justiça e nem essa mãe provisória dela. Acho que isso é errado, o certo era eu ter sido informada”, reclamou.

A mãe diz que a última vez que falou com a filha foi no dia 3 deste mês e que a menina teria dito que a odiava. “Ela disse que não ia mais voltar para casa. Eu disse para ela que a mentira só ganha enquanto a verdade não chega e que ela não sabe o que está fazendo”, conta.

G1 procurou o Tribunal de Justiça do Estado do Acre (TJ-AC) para saber mais detalhes da decisão e questionar se a mãe da menina foi avisada da audiência, mas a assessoria informou que o caso corre em segredo de Justiça.

Com a decisão, a guarda da jovem passou para a mãe da melhor amiga dela, que tem 14 anos. A mulher passa a ser a pessoa responsável legal da adolescente até que ela complete 18 anos.

À reportagem, a mãe provisória disse que conheceu a menina há quatro anos quando ela e a filha começaram a estudar na mesma sala. “Eu a vi várias vezes na escola da minha filha. Agora elas são muito próximas, ela é a melhor amiga da minha filha”, explica.

A mulher contou que soube pela filha que a amiga sofria abusos na casa onde morava. Ela disse ainda que quando a menina buscou ajuda na casa dela em novembro deste ano não pensou duas vezes antes de ajudar a jovem.

“Aquilo me doeu devido eu mesma ter passado por uma situação dessas. Na época, eu tinha 14 anos e eu tive apoio da família, ainda assim, para mim foi horrível. Então, na hora eu não pensei duas vezes e falei: ‘você vai ficar aqui em casa e a gente vai ver o que vai fazer”, disse.

Além de se identificar com a história da adolescente, a mãe provisória explica que decidiu pegar a guarda da jovem a pedido da filha. “Segundo o juiz, eu tenho direito de entrar com uma ação contra a mãe dela para pedir pensão, mas eu não vou mexer com isso. Vou tentar sustentar ela como sustento meus filhos. Ela vai ter uma vida normal”, afirma.

A advogada da menor, Joana D’Arc, disse que a guarda da menina não foi para nenhum familiar dela porque já tinha histórico de violência na família.

“Ela é vítima do namorado da mãe, que não mora na casa, no mínimo a mãe é omissa. Mas a jovem falava para as amigas no colégio os abusos que sofria. Ela foi posta pra fora de casa pela mãe, que optou por ficar com o namorado”, afirmou.

Entenda

A menina desapareu no dia 10 de novembro, quando saiu de casa para fazer trabalho na casa de amiga e não voltou mais. Cinco dias após o sumiço, a adolescente fez uma postagem em rede social em que acusa o namorado da mãe de abusá-la sexualmente e disse: ‘finjam que morri’. A mãe e o namorado negam as acusações.

A advogada da menor, Joana D’Arc, pegou o caso da menina e, em conversas com a adolescente, ela confessou que era abusada desde os 7 anos. “Tomei conhecimento dos fatos e entrei em contato com a adolescente. Ela me contou o que estava se passando e eu acionei o Ministério Público”, explicou a advogada.

Joana disse que a menor ficou na casa da família que recebeu a guarda por ao menos um mês, durante o período em que a menina saiu de casa até o dia da audiência, nesta terça-feira (12).

A mãe que recebeu a guarda provisória lembrou que no dia em que a adolescente foi dada como desaparecida, a filha dela falou com a menor. “Minha filha recebeu uma ligação da amiga dizendo que a mãe tinha expulsado ela de casa e que não sabia para onde ir e que ela ia tentar contra a própria vida”, contou.

A mulher relata que falou com a jovem pelo telefone na tentativa de acalmá-la e disse que a filha ia buscá-la no mesmo dia. Já na casa dela, a jovem desabafou sobre as situações que estava passando dentro de casa e que não suportava mais os abusos do namorado da mãe, desde que tinha sete anos.

Nesse momento, a vendedora disse para a adolescente que ia ajudar ela no que fosse preciso. “Falei para ela: ‘eu vou te dar todo o apoio e o que você precisar”, lembra.

Dias depois, a mãe provisória aconselhou a menor a fazer uma postagem no Facebook para que pudessem ter ajuda de alguém. A partir daí, a vendedora disse que recebeu ajuda da advogada Joana D’Arc, que combate abusos contra menores e auxiliou a menina.


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