Rio Branco,

Prefeito eleito de Feijó “derramou muita gasolina” não declarada. Promotor confirma apreensões e pedirá cassação de registro

Crime Eleitoral

Por Por Assem Neto

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O prefeito eleito de Feijó

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O prefeito eleito de Feijo, Kiefer Roberto (PP), será denunciado por crime eleitoral e pode nem ser diplomado. Uma força tarefa da Polícia Civil do Acre apreendeu uma grande quantidade de notas de gasolina no Auto Posto Progresso, de propriedade do prefeito eleito, às vésperas das eleições deste ano. As buscas foram autorizadas pelo juiz Alex Oivane, da 7ª Zona Eleitoral. A empresa é situada em Rio Branco. O sistema de vigilância do posto foi removido e está sob perícia. Equipamentos que podem atestar quanto de combustível entrou ou saiu em cada bomba também estão em poder da justiça.

O juiz de Feijó retirou o segredo de justiça do processo diante de fartas provas de corrupção eleitoral encontradas pela polícia. Não há assunto mais pitoresco que esse nas ruas de Feijó. “Havia requisições e notas fiscais emitidas pra a campanha do candidato em questão”, declarou o promotor eleitoral de Feijó, Ocimar da Silva Júnior. Ele confronta toda a papelada apreendida com as prestações de contas feitas pelo prefeito eleito e pelo Partido progressista. “Resta dizer que a relação de notas e requisições apreendidas é bastante extensa e nós estamos apurando responsabilidades”, informou Ocimar da Silva, que pediu a busca e apreensão.

Há poucos dias da votação, a Polícia Federal apreendeu um barco com cerca de 12 mil litros de gasolina subindo o Rio Envira, sem destino declarado. Os federais lavraram o flagrante de transporte ilegal de produto inflamável. Quanto a esse flagrante, há indícios de que a embarcação seja do prefeito, mas esta informação é extraoficial.

Por coincidência, Kieef Cavalcante também foi denunciado pelo sistema Pardal, da Justiça Eleitoral, por meio de um aplicativo que garante anonimato da fonte, seja cidadão comum ou não, uma semana após a apreensão do barco. A partir da denúncia, o MP apreendeu centenas de notas de gasolina derramadas na cidade às vésperas das eleições, durante uma mega carreata. “Não havia registro de saída do combustível, que não foi declarado na prestação de contas do candidato”, diz o promotor.

O MP investiga a relação do caso envolvendo o prefeito eleito de Feijó  com o esquema de corrupção que derrubou Jackson Marinheiro, diretor-presidente da Empresa Municipal de urbanismo (Emurb) na capital. Kieef tem como aliado mais forte o ex-deputado e prefeito cassado de Feijó, Juarez Leitão. Marinheiro, por sua vez, passou 24 horas detido em consequência da “Operação Midas”, desencadeada dias antes das eleições deste ano pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Acre. Os advogados de defesa do prefeito eleito já tiveram acesso às provas, mas não foram localizados. A reportagem tentou ainda falar com Kieef, sem sucesso.


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