Rio Branco,

Câmara gasta quase R$ 60 mil com viagens de vereadores não eleitos

Em fim de Mandatos

Por Do G1 Acre/ com colaboração de Luízio Oliveira, da Rede Amazônica Acre

vereador
Cada parlamentar recebeu cerca de R$ 5 mil em diárias, uma conta de R$ 57.548,40 aos cofres da Casa, já que alguns fizeram mais de uma viagem.

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A Câmara Municipal de Rio Branco gastou quase R$ 60 mil com viagens e diárias de vereadores para outros estados do Brasil. Alguns foram para o nordeste e a justificativa é que foram fazer um curso de gestão, como administrar melhor o dinheiro e recursos públicos. Porém, de todos os nove vereadores que viajaram, apenas um foi reeleito.

Ao todo, a câmara possui 17 parlamentares. Apenas quatro conseguiram se reeleger nas eleições de outubro este ano. Os vereadores participaram de cursos de gestão em capitais, como Natal, Brasília e Salvador. Cada parlamentar recebeu cerca de R$ 5 mil em diárias, uma conta de R$ 57.548,40 aos cofres da Casa, já que alguns fizeram mais de uma viagem.

Dois dos vereadores que não se reelegeram, Alonso Andrade (PV) e Fabiano Oliveira (PP) justificaram a viagem. Andrade diz que o fato de não ter sido reeleito não lhe tira o direito de participar de uma capacitação.

“Agora tu pergunta assim: por que depois das eleições? Aí eu vou te dizer o porquê. O professor se forma professor, ele vai parar de estudar por causa disso? Se ele tiver desempregado? Não vai. Ele tem que estar capacitado para a próxima vez que arrumar um emprego”, argumenta.

Ao ser questionado que não seria mais vereador devido ao fim do mandato, ele justifica dizendo que sua carreira política não havia acabado. Já o vereador do PP Fabiano Oliveira explica que as passagens só saíram após as eleições devido a um processo de licitação que precisou ser feito.

“A Câmera, como qualquer órgão publico, não pode jamais comprar uma passagem se não for licitada. Então, nós estávamos em um processo de licitação, principalmente, nessa questão de agência de viagem. Por isso, essas capacitações ficaram para após as eleições”, diz.

A vereadora Roselane Jardim (PRB), que também não se reelegeu, tem uma viagem marcada para Belo Horizonte entre os dias 29 de novembro e 5 de dezembro. Ela vai fazer um curso de capacitação em transparência governamental.

Porém, procurada pela reportagem, ela desconversou e não respondeu qual seria o interesse do curso. “É porque nós estamos agora em um plano direto e em outro momento eu falo com o senhor”, disse antes de sair.

Os outros vereadores que viajaram por conta da Câmara após as eleições foram: Professor Roger (PSB); Gabriel Forneck (PT); Raimundo Vaz (PR); Graça da Baixada (PT); Rabelo Góes (PP); Antônio morais (PT) – o único reeleito.

O presidente da Câmara, Artemio Costa (PSB), disse que não poderia atender a reportagem e disse que a assessa de comunicação da Casa, Ana Paula Xavier, poderia falar sobre o assunto.
“O que ficou bem claro é o que não está sendo feito nada ilegal, nada fora da lei. Esses questionamentos foram esclarecidos com essa reunião, então, os vereadores podem sim continuar viajando”, alega.

Participar de cursos de capacitação fora do estado, com diárias pagas pelo Legislativo é legal, o que se questiona é qual a relevância para o município em capacitar um vereador no fim do mandato, tendo em vista que ele não se reelegeu.

Medidas que, para a população, também não fazem sentido. “Realmente é um gasto desnecessário”, acredita o locutor Max Cardoso. O aposentado Gleiston Mendes tem a mesma opinião sobre o assunto. “É uma indecência, imoral. Não foram eleitos, não têm direito!”, reclama.

O professor Antônio José acredita que as viagens justificadas por cursos de qualificação seriam para um início de mandato e não para o fim. “Esses cursos preparatórios seriam para o início do mandato. Os vereadores que realmente não conseguiram se reeleger deveriam subsidiar isso aí, fazer curso pra quê? No final do mandato não rola, minha gente”, finaliza.

 


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