Rio Branco,

Vítima de diagnóstico de HIV errado no AC deve ser indenizada pelo Estado

Jovem que trabalha como operadora de caixa

Por G1 AC

exameO Estado do Acre deve indenizar, em R$ 9 mil, uma jovem que trabalha como operadora de caixa em Rio Branco, após emitir um laudo apontando que a paciente de 29 anos estava infectada com o vírus HIV. A decisão ainda cabe recurso.

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O G1 entrou em contato com a Procuradoria Geral (PGE-AC), para saber se o Estado vai entrar com o recurso, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

A jovem, que prefere não se identificar, conta que tudo aconteceu no final de 2014, quando ela tentou doar sangue para o marido, que havia sofrido um acidente.

A jovem diz que foi chamada em uma sala  no Centro de Hemoterapia e Hematologia do Acre (Hemoacre), por três pessoas, e informada do diagnóstico.

“Fiz o exame e me chamaram dizendo que tinha que refazer porque tinha dado um erro, mas não falaram qual. Fiz o exame novamente e, em janeiro de 2015, quando fui pegar o resultado, três pessoas me chamaram na sala e me informaram do diagnóstico”, conta.

A hematologista e diretora do Hemoacre, Thereza Picado, explica que o centro não trabalha com diagnóstico e que, a qualquer sinal de positividade de alguma doença, o doador é encaminhado para um serviço de referência.

“O paciente, quando tem qualquer positividade, é informado. Ele tem esse direito. Mas, não é dado um diagnóstico. Todos os doadores assinam um termo de ciência disso. Ele [paciente] faz exames de triagem, que podem ter alguns resultados diferentes”, explica.

Thereza diz ainda que os exames de triagem são mais sensíveis do que específicos, o que pode dar uma falsa positividade, por isso, o doador é encaminhado para um centro de saúde. “No nosso procedimento padrão, ele tem o direito de saber. Até porque encaminhá-lo é uma obrigação que temos. Nosso objetivo não é dar diagnósticos, mas sim proteger o paciente”, destaca.

A jovem conta ainda que ficou em choque com a notícia e muito abalada. “Eu estava passando por muita coisa, estava sozinha e não estava preparada psicologicamente para receber uma notícia dessas”, relembra.

Ela diz ainda que chegou a ser encaminhada para o Serviço de Assistência Especializada (SAE) no Hospital das Clínicas. Somente após quase três meses, a jovem refez o exame e descobriu que o laudo, emitido pelo Hemoacre, estava errado.

“Em janeiro, após dois meses e meio, fiz um exame particular porque as consultas no hospital demoraram muito. Fiquei tão transtornada que preferi fazer um exame particular, mas, mesmo com o resultado positivo, fiquei sem saber em quem acreditar. Porque um dizia que eu tinha o HIV e outro dizia que não. Foi uma fase muito difícil da minha vida que nem gosto de lembrar”, diz.

Além de todos os transtornos, ela estava casada e enfrentou também problemas no casamento. A operadora de caixa também tinha um filho de pouco mais de dois anos na época. “Eu fiquei muito abalada psicologicamente. Só depois que mostrei os novos exames para o médico e refiz outros é que tive certeza que não tinha a doença. Foi uma época bem difícil na minha vida que não gosto de relembrar”, revela.

O advogado da jovem, André Marques, disse que a ação tem como objetivo responsabilizar o Estado, não só pelo laudo positivo entregue de forma equivocada, mas também pela forma em que a situação foi conduzida.

“Primeiro, a realização de um exame cujo resultado supostamente apresentou problemas, havendo a necessidade de um novo exame, onde, na hora de entregar o resultado, a autora foi convidada a ir em uma sala com três profissionais, que lhes disseram ser portadora do vírus HIV e que deveria iniciar o tratamento imediatamente”, pontua.

Marques destaca também que em nenhum momento, a jovem recebeu a informação de que o resultado seria preliminar. “A notícia abalou psicologicamente a autora e, principalmente, o seu casamento, visto que seu marido passou a desconfiar de sua fidelidade, fazendo com que ela realizasse uma série de outros exames, uma vez que não se conformava com o resultado apontado”, explica Marques.

Decisão
Na decisão, divulgada pelo Tribunal de Justiça do Estado do Acre (TJ-AC) e assinada pelo juiz Marcelo Badaró, a Justiça entendeu que houve falha na prestação de serviços, uma vez que a Saúde “não se resguardou ao descumprir integralmente os procedimentos estabelecidos nas portarias do Ministério da Saúde, que regulamenta a detecção da enfermidade, assim como ao publicar o resultado do exame que ao final que se demonstrou equivocado.


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