Rio Branco,

Relato de uma Missionária – Beatriz Oliveira.

Por Por Natacha Cavalcante

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Olá, gente.. sem dúvidas essa foi umas das matérias que eu mais me emocionei, primeiro de tudo eu presenciei toda a fase da minha amiga Beatriz Oliveira tomando essa decisão importante na vida dela e posso dizer com convicção que não poderia ter ficado mais feliz.

Senti muitas saudades, mas como fiquei orgulhosa quando ela finalmente retornou e contou toda essa experiência pra mim e por isso eu decidi compartilhar com vocês:

“ E Tudo passou como um sonho, sendo nós um povo solitário(…)” ah… é nisso que meu travesseiro e eu pensamos bia-5quase todas as noites, e entre um pensamento e outro, esse meu companheiro fofinho ainda recebe uma lagrima minha. Juro que não estou falando de lágrimas de solidão, muito menos de um amor não correspondido, e sim, mesmo ainda sendo bem jovem, falo de um tempo em que precisei deixar minha família e por 18 meses esquecer de mim, pra poder lembrar dos outros.

Nascida numa família cristã, membro de A Igreja de Jesus Cristo do Santos dos Últimos Dias, aos 19 anos de idade tomei uma decisão que até agora, quase dois anos depois, ainda me faz sorrir e chorar sozinha. Não preciso nem dizer que não me arrependo nem por um minuto. Era numa noite de quinta feira, 16 de fevereiro de 2013, quando recebo uma ligação da sede da igreja, naquele momento o presidente regional ligara pra avisar que havia recebido uma carta endereçada a mim; eu estava numa fase ótima da minha vida, talvez a melhor delas, lá estava eu no meu quarto com minhas musicas, meus livros, meus pais, minha casa, minha terra, meu mundo, minha Vida!, “quem sabe até, eu ainda era uma garotinha esperando o ônibus da escola” pelo menos ainda me sentia assim, quando “uma carta… da minha vida me separou… e fui mandada ao rio grande do sul”. Ficaria por 18 meses complemente dedicada ao trabalho de evangelização.

Estava vivendo uma época muito especial, mas eu continuava com aquele sentimento de que Deus esperava algo a mais de mim, e que havia pessoas que estavam precisando da minha ajuda. Logo decidi sem pensar mais por um minuto, que deveria servir uma missão e ser uma representante de Cristo. Quando completei 19 anos (que é a idade permitida às jovens de servir uma missão, com duração de 18 meses) eu já preparei tudo para embarcar no serviço de Deus, pois ele estava me chamando para seu trabalho. No dia 27 de julho, embarquei em São Paulo e fui para o CTM – Centro de Treinamento Missionário. No mundo inteiro há Centros de Treinamentos Missionários que recebem jovens (meninos a partir de 18 anos e meninas a partir dos 19) onde lá eles recebem todos os aparatos necessários para desempenhar tal trabalho. Lá aprendem que o principal objetivo de sua missão é Convidar as Pessoas a achegarem-se a Cristo ajudando-as a receberem seu evangelho, e assim, poderem exercer sua fé nele.

Servir missão logicamente não é uma decisão muito fácil, pois os jovens que sentem o desejo de se tornarem missionários, precisam dar um “pause” em suas vidas pessoais e só podem dar o “play” quando retornam para sua terra natal, podendo assim, continuar de onde pararam. E comigo não foi uma experiência tão fácil pois na época eu havia acabado de ingressar na faculdade, estava cursando meu primeiro período em Direito e havia feito muitas amizades especiais que fazem parte da minha vida até hoje. Mas sentia que aquela felicidade que eu tinha a mais na vida, poderia passar para muitas outras pessoas que estivessem necessitadas desse amor de Cristo, famílias que estariam precisando de amparo, jovens que estivessem sentido um vazio e sentindo-se só, sem valor, pessoas que não se conheciam e nem sabiam o porquê da sua existência e se algum dia iriam poder ter suas dores cessadas e suas feridas curadas pela dor de uma perda ou por dores de acontecimentos infelizes em suas vidas. Eu queria que elas soubessem do tamanho do valor delas aos olhos de Deus e dos planos que ele tinha para cada uma delas, e assim mostrar-lhes o verdadeiro sentido de suas vidas.

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Algo que sempre gosto de lembrar do tempo em que eu fui uma missionária, era que dentre 20 pessoas diferentes com quem falávamos num dia, todas me faziam sentir como se eu tivesse nascido para aquilo, tomando uma injeção de ânimo e amor. Elas nunca haviam nos visto antes e já abriam a porta de suas casas e de seus corações, começavam a nos contar coisas referentes à sua vida pessoal, nos falavam das suas tristezas e alegrias, logo eu começava a buscar maneiras de ajudá-las a sentirem que elas faziam parte de algo maior, que só conseguiriam ver com o coração. Procurava me inspirar em Cristo e pensar o que ele faria naquela situação.

Os dias passavam, e o tempo ia se encarregando de me tornar mais forte, mais amorosa, e passei então a enxergar um mundo que nem sabia que existia, um mundo triste e solitário, que fazia morada no coração de muitos filhos de Deus que conhecia todos os dias. Muitas vezes um “oi”, seguido de um sorriso de um rosto suado do sol escaldante, já era o suficiente pra enxugar as lágrimas daqueles que tanto sofriam. Vivia somente para o trabalho de evangelização, o dia inteiro, e quando chegava a noite, eram aqueles rostos tristes e chorosos que preenchiam meus sonhos e minhas orações, não importava o preço do dólar, o aumento da inflação, o lançamento no cinema, nem a mega promoção de sapatos das melhores lojas. Se fazia sol, se chovia, ou o frio era congelante, lá estava eu, pelas ruas do rio grande adquirindo as marcas que ainda guardo comigo; marca dos calos nos pés, do sol que batia no meu rosto, mas principalmente, guardo comigo as marcas impressas no meu coração, da melhor das épocas da minha jovem vida. E são essas lembranças que ainda molham meu travesseiro durante a noite.

De repente era hora de voltar pra casa, o senhor me chamara de volta pra minha família, que me esperava de braços bia-3bem abertos. Juro que fiz o meu máximo, nunca senti minha alma tão perto das portas do céu, parecia ouvir os sinos celestiais nos meus ouvidos, tudo realmente havia “passado como um sonho”, do qual ainda estou acordando.

Hoje, com um grande sorriso no rosto, posso ver as bênçãos em minha vida, talvez colhidas desse tempo… Um tempo que não volta mais e que rendeu bons frutos. Continuo levando minha vida como antes, me sinto uma pessoa melhor e mais preparada para encarar a vida como ela é. Não me arrependo e encorajo a todos que lerem essas minhas palavras a doarem um pouco de si em benefício de um mundo melhor. Hoje posso entender perfeitamente o que Cristo quis dizer a mais de dois mil anos: “ E todo aquele que tiver deixado casas, ou irmão, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou terras, por causa do meu nome, receberá cem vezes tanto e herdará a vida eterna”.( Mt 19:29 ).

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Se você é alguém que precisa dessa alegria a mais em sua vida, contate os missionários que estiverem mais próximos de você!

Relato de: Beatriz Oliveira, membro de A Igreja de Jesus Cristo do Santos dos Últimos Dias. (https://www.lds.org/?lang=por)

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https://www.mormon.org.br/

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