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No AC, usuários de drogas montam moradia em reservatório de esgoto

Francicleuva mora com o marido no Segundo Distrito de Rio Branco.
Semcas acompanha o caso e tenta levar casal para centro de tratamento.

Por G1 Globo

Um reservatório de tratamento de esgoto do Departamento de Pavimentação e Saneamento (Depasa) virou moradia do casal Francicleuva Pereira, de 36 anos, e Francisco Paulino, de 42. O casal, que afirma ser usuário de drogas, estaria no local há cerca de uma semana, onde construiu um barraco com lona e acomodou os poucos pertences.

Francicleuva diz que passa o dia com uma amiga, de 19 anos, enquanto o marido trabalha como guardador de carros. A moradia improvisada foi construída na Rua Quinari, bairro Vila do DNER, antigo Comara, no Segundo Distrito de Rio Branco.

Por meio de nota, o Depasa informou que encaminhou uma equipe técnica ao local, que constatou a presença dos moradores. O órgão detalhou que o reservatório funciona de maneira autônoma, onde as máquinas acionam o sistema, sem a necessidade da presença efetiva de um operador. A nota ressalta ainda que as instituições de acolhimento e assistência às pessoas com vulnerabilidade social devem ser acionadas para acompanhar o caso.

Em setembro de 2015, o G1 conversou com o casal durante um protesto organizado pelos moradores do bairro Quinze, contra o abandono de prédios públicos na rua Boulevard Augusto Monteiro. Na época, o casal estava abrigado no antigo prédio do cartório e afirmou que não tinha onde morar.

“De lá [cartório], a gente foi morar na Cidade Nova. Uma mulher deu um quarto para a gente. Os filhos dela chegaram da zona rural e saímos. Faz uma semana que estamos aqui. Prometeram [família] uma cesta básica, disseram que vinham deixar no outro dia, mas veio a prefeitura e derrubou nosso barraco”, lembrou Francicleuva.

Ela conta que um vizinho prometeu comprar umas telhas e doar para o casal. A nova moradia, porém, a deixa temerosa. “É perigoso. Sempre fica uma amiga comigo, tenho medo de ficar sozinha. Somos usuários de drogas, mas não usamos todo tempo e não bebemos, somos moradores de rua. Não vivemos roubando, os vizinhos daqui nos dão apoio”, falou.

Questionada sobre a família, Francicleuva, que admite ser usuária de crack, chora ao lembrar dos três filhos que estariam morando com o pai na cidade de Manaus (AM). “Sou viciada. Fiz tratamento, mas não me senti bem tomando aquele chá [Ayhuasca]. Mexeu com meu psicológico. Sinto falta dos filhos. O mais velho tem 16 anos”, disse emocionada.

Assistência
A responsável da Secretaria de Cidadania e Assistência Social de Rio Branco (Semcas), Dora Araújo, disse que o casal foi localizado após uma equipe de limpeza da Secretaria de Serviços Urbanos (Semsur) avisar que havia um casal morando em um barranco na Rua Quinari.

“A Semsur ligou para mim e entrei em contato com o Cras [Centro de Referência de Assistência Social]. Uma equipe foi lá e eles disseram que não queriam sair. Nossa luta é para tentar levá-los para uma recuperação e melhorar as condições que estão”, pontuou a secretária.

Dora falou ainda que o casal foi retirado do antigo prédio do cartório após a Defesa Civil condenar o local, que foi demolido. O casal, então, teria sido colocado em um apartamento, mas abandonaram. A equipe do Cras, segundo a secretaria, vai levar uma cesta básica e tentar levá-los para um centro de tratamento.

“Nossa equipe foi lá conversou com eles e foi ofertado um tratamento. Eles recusaram. Vamos levar um grupo especial da nossa equipe para ter outro diálogo. A informação que temos é que eles usam crack, que é mais pesado. Nossa tentativa é para ver se eles iniciam um tratamento”, concluiu.

 

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